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“A Infantaria da Aeronáutica é responsável pela segurança e defesa de equipamentos, instalações e pessoas”. Essa definição você acha em vários lugares, mas o que você vai descobrir no post de hoje é que a Infantaria da Força Aérea é na verdade muito muito maior do que isso. Tipo o quê? Antiaérea, paraquedismo, Forças Especiais... E pra você entender esse universo, apresentaremos a Infantaria por onde tudo começa: o curso de formação da Academia da Força Aérea! É só continuar lendo e conhecer o que você pode, um dia, viver por lá wink #Dica: Se seu interesse não é tanto pela rotina na AFA, mas pelas formas de ingresso e pelo dia a dia da Infantaria em si, é só rolar a página. Lá embaixo reunimos todas essas informações.cool

Para explicar como funciona o curso de Infantaria na AFA, nada melhor do que perguntar para quem viveu essa experiência. Por isso, selecionamos alguns personagens para nos acompanhar nesse caminho. O primeiro deles é o Aspirante de Infantaria Lucas Nascimento dos Santos. Hoje no Batalhão de Infantaria Especial de Recife, o militar viveu os quatro intensos anos de formação na Academia e topou falar com a gente sobre um pouco da área operacional. Confira as dicas, principalmente sobre as disciplinas:

#PrimeiroESegundoAnos

“O curso de Infantaria é tido na AFA pelos instrutores como o mais completo dentre os três quadros (Aviação, Intendência e Infantaria). As atividades específicas começam no segundo ano da Academia. Neste ano, começamos com as matérias técnico-especializadas que fazem parte de nossa iniciação dentro do quadro, com destaque para ‘Táticas de Combate terrestres 1, 2, 3, 4’, ‘navegação terrestre’ e ‘equipamentos bélicos’.” 

Se somente o nome das disciplinas já chama a atenção de quem curte a área operacional, imagine a prática disso tudo. laughing São em “táticas de combate terrestre” que são ensinadas técnicas de combate individual e em grupo que são empregadas pelo combatente no momento de um conflito armado. “Após todo embasamento teórico ministrado em sala de aula todo conhecimento é posto em prática. Nessa hora os instrutores criam um ambiente de conflito simulado para que possamos imergir naquela realidade e cumprir as missões que nos são determinadas. É atividade que exige muito do cadete. Privação de sono, grandes deslocamentos e atenção constantes para que os objetivos da missão possam ser cumpridos com êxito. Praticamente uma semana cumprindo missões extremamente exaustivas fisicamente e mentalmente, porém o sentimento de alegria ao cumprir a atividade marca o final de todo um ano de aprendizado.”

#TerceiroAno

A formação vai se aprofundando com os anos. Dá só uma olhada em algumas disciplinas por quais os cadetes do terceiro ano precisam passar: “Estágio Básico de Combatente de Montanha”, “Operações aeromóveis”, “Estágio de Polícia da Aeronáutica” e “Operações aeroterrestres”.

O Lucas completa: “A atividade que mais me identifiquei na AFA foi o estágio de montanha. Realizado no 12º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Belo Horizonte. O estágio teve a duração de uma semana, período em que fomos submetidos a instruções técnicas de nós e amarrações e de escalada. Após a parte teórica, nos deslocamos à Serra da Piedade onde a parte prática do estágio foi realizada. Provas de nós e amarrações e avaliações de escalada nas diversas rotas da serra tanto a noite como durante o dia. Ao final do estágio realizamos uma desgastante marcha de 20 km de subidas e descidas. O final? O ponto mais alto. E, finalmente, o grito: “Montanha!”.

Em “Operações Aeromóveis” acontecem as atividades realizadas com os helicópteros. “Foi uma semana de treinamento intenso. Aprendemos vários métodos de infiltração e exfiltração como rapel, hellocast e o pouso de assalto. No final da semana terminamos a disciplina com uma patrulha e seu deslocamento foi realizado pela aeronave H34 Super Puma”.

 

“O estágio de polícia da Aeronáutica foi ministrado na AFA e no BINFAE Galeão. Aprendemos técnicas de controle de distúrbios e pudemos conhecer os efeitos dos armamentos de baixa letalidade como gás de pimenta e o gás lacrimogêneo.Fomos inseridos numa tropa de choque e sentimos a pressão de uma multidão enfurecida. Foi um grande desafio dentro do curso”.

 

Em operações aeroterrestres, os cadetes realizam saltos. “Foi uma das atividades mais vibrantes do curso. Realizamos um salto semelhante ao de emergência e outro equipados e armados para cumprir uma missão de patrulha após a aterragem. Saltar é uma sensação indescritível. Realmente um misto de sentimentos que jamais esquecerei e que com certeza terei vontade de repetir”.

#QuartoAno

Segundo o Aspirante Santos, o quarto ano do curso fica marcado especialmente por duas atividades: a disciplina de Operações de Selva e o estágio de instrutor de tiro. “A disciplina de Operações de Selva e realizada na região amazônica onde tivemos a oportunidade de conhecer todas as peculiaridades da região. O calor intenso, a vegetação e os rios foram os mais marcantes naqueles dias de operações. Foi uma semana de aprendizado sobre patrulhas ribeirinhas. Fica claro o quanto é difícil operar naquela região”.

“O estágio de instrutor de tiro nos capacitou a ministrar instruções de tiro com todos os armamentos da Força Aérea. Foi quase um mês de preparação teórica. O que nos permitiu conhecer muito bem o armamento nos mínimos detalhes. Além disso, pudemos conhecer seu funcionamento em sessões de tiros que realizamos. Ao final do estágio fomos avaliados. Tivemos que ministrar uma instrução de tiro e atentarmos para todos os detalhes que envolvem essa atividade, zelando em primeiro lugar para a segurança”.

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Agora você conhece a história do Cadete de Infantaria Manhães. É daquelas histórias bem compartilhadas. Que pode ser igual a sua ou de alguém que você conhece. Ele está no terceiro ano da AFA e conta todo seu processo para chegar à Academia. Dos problemas de vista, estudos, novos sonhos...

"Meu contato com o militarismo começou com o meu pai, cujo irmão, meu tio, era aviador da Força Aérea. Meu pai também tentou ser aviador da FAB, contudo, não teve êxito, e seguiu por outros caminhos pelos quais foi um exemplar profissional. Meu pai sempre levou a mim e meu irmão em bases aéreas, das quais me lembro bem é de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e do CATRE, em Natal.

 

Nesses lugares, além do contato com os aviões, eu tinha contato com os militares, sejam os aviadores, os mecânicos etc. Muito me fascinou não só a possibilidade de voar, mas a de ser uma pessoa que é exemplo para os demais, que faz as coisas com amor e dedicação. E com isso, minha paixão pela aviação, e pelo ser militar foram crescendo, a ponto de eu querer isso para a minha vida.

 

Em 2003, com meus 12 anos, meu pai me trouxe pela primeira vez na Academia da Força Aérea, onde fiquei fascinado pela beleza e organização do Corpo de Cadetes. Eu não tinha dúvida que eu queria ser um cadete, que queria ser militar da FAB e que eu queria voar.

 

E para me tornar um, eu teria que estudar muito. Foi o que eu fiz.

 

Tentei entrar para a EPCAr, porém não consegui. Continuei estudando e foquei meus esforços para entrar na AFA. Mas, aos 16 anos, em 2007, minha mãe me levou no oftalmologista, pois eu estava sentindo muita dor de cabeça durante as aulas no colégio, e ela suspeitou que poderia ser problema de vista. Foi a notícia mais triste que eu já tinha recebido naquela época, pois significava que meu sonho de me tornar aviador e militar tinha ido por água abaixo, já que para ser piloto militar a visão precisa estar em boas condições.

 

Meu pai me incentivou a continuar estudando, e como eu gostava de Engenharia, me aconselhou a ser um Engenheiro Aeronáutico militar, no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Para mim foi uma opção que me agradou, pois eu ainda poderia ser militar e estar muito próximo dos aviões. Prestei a prova para o ITA, mas, como não é novidade para muita gente, a prova é bastante difícil, e por isso não consegui ser aprovado.

 

Em 2009 minha vida mudou um pouco de rumo, com o falecimento do meu pai. Eu não poderia continuar estudando sem garantia de que eu conseguiria passar numa prova tão trabalhosa. Com isso saí de casa, e fui para o Rio de Janeiro, onde trabalhei como vendedor de roupas. Meu novo objetivo era juntar dinheiro para me tornar piloto civil. O sonho de me tornar militar havia se tornado um pouco distante da minha realidade.

 

Em dezembro de 2010 meu irmão foi para o Rio prestar a prova da Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAR), e sem me avisar, minha mãe havia me inscrito na prova. Fui pego de surpresa, pois eu não estudava havia muito tempo. Mas como eu tinha que levar meu irmão, o que custava eu também fazer a prova. Fiz, e para a minha surpresa fui aprovado.

Com isso, aquele sentimento de me tornar militar voltou a ferver dentro de mim. Fui aprovado em todos os exames, e no dia 03 de julho de 2011 me apresentei na EEAR, para me tornar um aluno especialista. Lá dentro me deparei com diversas especialidades, e tive de escolher uma delas. Inicialmente eu quis ser mecânico de aeronaves, para realizar meu sonho de ser militar e estar próximo dos aviões. Porém, meu problema de vista não me permitiu isso. Deparado com as outras opções, a que mais me causou fascínio foi a de Guarda e Segurança, que é ligada à Infantaria da Aeronáutica. A possibilidade de me formar e trabalhar com recrutas, e ensiná-los a serem militares me encantou muito mais que a vontade de estar próximo dos aviões. Eu que sempre sonhei em ser militar, estaria formando novos militares! E essa foi a minha escolha. Meu irmão, que estava estudando para a AFA, me falou sobre a Infantaria. Eu não sabia disso. Para mim, a Academia da Força Aérea só formava pilotos.

 

Ao longo dos meus meses na EEAR, me formando para ser Sargento de Guarda e Segurança, tive contato com diversas pessoas que serviam como infantes. E meu fascínio por essa carreira das Armas cresceu cada vez mais ao ver pessoas muito dedicadas, muito profissionais, que faziam com amor e capricho suas tarefas, que buscavam se aperfeiçoar e se motivar sempre. Pessoas como o Major Renato, Capitão F. Santos, Tenente Leitão, Tenente Guanabara, Tenente Fonseca, Suboficial Gláucio, Sargento Cunha, Sargento Nivandreo, Sargento Martins Reis construíram a minha imagem do que é ser infante, e do que sigo como exemplo até hoje.

 

Assim, enquanto estudava para as provas da EEAR, para me formar sargento, também me dediquei para tentar a prova da AFA, para me tornar Oficial de Infantaria da FAB, sendo que fui aprovado na prova para ingresso na turma de 2013, atual Esquadrão Tupã.

 

Aqui na AFA tive muito contato com as atividades de Infantaria, tais como o Salto de Emergência, Patrulha, atividades policiais, atividades de Contra Incêndio, Operações Aero terrestres, Operações Aero móveis, Estágio Básico de Combatente de Montanha, manuseio de explosivos entre outras várias atividades que a Infantaria se envolve.

Entreguei-me de corpo e alma para o curso de Infantaria. Tenho a grata satisfação de ter minha dedicação coroada com a Liderança do Curso de Infantaria da Academia da Força Aérea, ou seja, o “zero-um” do quarto ano. Jamais imaginei chegar a esse nível de responsabilidade dentro do curso de Infantaria.

 

Hoje em dia, meu sonho de voar não está numa cabine de uma aeronave, mas na rampa de salto das aeronaves de lançamento de paraquedistas. E descobri que a emoção de saltar armado e mochilado para cumprir uma missão é muito única, e que ninguém, senão, só quem se envolve com a Infantaria vai conhecer esse sentimento.

 

Não consigo me ver em outro lugar, senão como sendo de Infantaria. Sinto-me muito realizado como pessoa e profissionalmente nessa carreira".

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Nós temos ainda muitos outros personagens da Infantaria da Aeronáutica para você conhecer. Aguns estão na nova edição do jornal NOTAER. Recomendamos a leitura, especialmente se você pretende seguir essa carreira. São dicas e esclarecimentos preciosos para quem estar tentando descobrir o que fazer da vida.

A Infantaria na Força Aérea Brasileira!

Aí você está se perguntando: Onde estão os paraquedistas, a antiaérea e o PARA-SAR? Então, falamos muito sobre eles por aqui nos últimos anos. Por isso, resolvemos focar na formação desenvolvida na AFA. Mas, se seu negócio é conhecer o que acontece com os militares depois da Academia, é só clicar aí:

Sobre o PARA-SAR, a tropa de elite da Força Aérea Brasileira especializada em operações especiais:

Especialistas em Guarda e Segurança:

Sobre os Batedores da FAB:

Sobre a Antiaérea:

Sobre a rotina dos soldados na FAB:

Sobre a Academia da Força Aérea e a rotina dos cadetes:

Bônus: No Flickr da FAB tem fotos exclusivas da Infantaria, inclusive do treinamento conjunto das Tropas Especiais das Forças Armadas. Aliás, os profissionais da FABTV estão preparando um programa especial sobre os exercícios realizados esse ano. Imagens que você nunca viu! Fique de olho no portal e no canal da FAB no youtube! No início de 2016. wink Até a próxima postagem!

 

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