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Apenas quem precisa de um órgão para sobreviver sabe como é angustiante a expectativa de receber a doação de outra pessoa. A espera constante, a luta diária pela sobrevivência, o envolvimento da família durante essa jornada...

Nas últimas semanas, você deve ter acompanhado a discussão sobre parte desse tema, ou seja, a participação da Força Aérea Brasileira nessa luta contra o tempo, para salvar vidas. E é sobre esse assunto - que despertou tanto interesse e tantas dúvidas em nossos seguidores nas mídias sociais, na imprensa, na população brasileira como um todo - que queremos hoje conversar e informar aqui no Blog.

Neste post, explicaremos todo o passo a passo dessa corrida pela vida! Desde a morte de uma pessoa e a autorização de sua família para a doação de um ou mais de seus órgãos, até a recepção pelo paciente que ganha outra chance com o órgão doado. São muitas pessoas envolvidas no processo, muitos profissionais, instituições e logísticas... e, por vezes, nossos militares também! Confira tudo agora e ajude-nos a compartilhar essa informação para que mais pessoas possam entender e compreender a importância da doação de órgãos e a participação da FAB nessa missão!

Nas próximas linhas, você vai entender toda a complexidade que envolve um transplante de órgão. E, quando isso envolve o transporte em uma aeronave, a responsabilidade se torna ainda maior. São muitas variáveis a serem consideradas e o sucesso do transplante depende de vários fatores.   

Você sabia que muitas etapas antecedem o acionamento de uma missão da FAB para o transporte de órgãos para transplante? Observe, nos 10 passos abaixo, a complexidade do processo que pode resultar na realização de um transplante e a participação da FAB: 

1) É constatada a morte encefálica de um paciente em determinado hospital. Em seguida, o paciente (agora falecido) passa a ser considerado um potencial doador de órgãos. A Central de Transplantes do Estado onde se encontra o provável doador recebe a notificação da morte encefálica que é obrigatória por lei. Então, a família do potencial doador é entrevistada sobre a vontade de doar ou não os órgãos;

2) Caso a família do potencial doador autorize a doação e a retirada dos órgãos, a Central de Transplantes do Estado gera uma lista dos receptores de cada órgão a ser retirado. Ex.: fígado, pulmão, coração, rins, etc. Após o consentimento familiar, a Central de Transplantes Estadual marca, em conjunto com o hospital, o horário de início da cirurgia de retirada dos órgãos;

3) A partir do agendamento da cirurgia, a Central de Transplantes Estadual providencia a logística de transporte dos eventuais órgãos a serem retirados, até o local onde se encontra o potencial receptor do transplante. Porém, quando um Estado não possui receptores compatíveis em sua lista de espera local, os órgãos são ofertados para a lista única nacional, sob gerenciamento da Central Nacional de Transplantes (CNT), do Ministério da Saúde;

4) A CNT verifica, obedecendo à lista única nacional, em qual Estado se encontra o receptor mais adequado para o órgão ofertado e auxilia na escolha da melhor logística para alocação do órgão. Muitas vezes é possível que o transporte do órgão retirado seja realizado por via terrestre (ex.: em casos de estados fronteiriços) ou por meio de aviões comerciais;

5) Alguns órgãos possuem um tempo muito curto para ser retirado do corpo do doador e ser implantado no corpo do receptor (ex.: coração, pulmão). É o chamado tempo de isquemia, que significa o máximo de tempo que o órgão resiste sem circulação sanguínea. O tempo de isquemia aceitável para cada órgão doado é sempre o determinante para que a Central Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde decida sobre qual logística de transporte deverá ser utilizada;

6) Quando o órgão ofertado possui tempo de isquemia curto (no máximo 04 a 06 horas) ou já tenha sido retirado e esteja com tempo de isquemia prolongado (como no caso de rins e fígado) pode ser necessário solicitar o auxílio da FAB na logística de transporte;

7) Em alguns casos, é necessário levar também uma equipe médica para realizar a cirurgia de retirada dos órgãos e depois levar essa equipe com o órgão já retirado até a cidade onde o transplante será realizado. A FAB é acionada pela Central Nacional de Transplantes e, depois de verificadas todas as condições necessárias para a decolagem e pouso da aeronave, confirma e realiza o transporte.

8) A FAB só realiza esse tipo de missão após ser acionada pela CNT, depois de esgotadas todas as outras tentativas de transporte, como visto acima. E, esse acionamento, ocorre apenas no Centro de Operações do Comando-Geral de Operações Aéreas (COMGAR), localizado em Brasília. Nesse local, atua o Oficial de Comando e Controle (OCC), o qual recebe o pedido da CNT com todas as informações referentes ao local do doador e do receptor, bem como as condições do órgão a ser transplantado. Cabe reforçar que há um membro da CNT que atua no atua no Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA), Unidade da FAB localizada no Rio de Janeiro, o qual auxilia o acionamento da FAB.

9) O OCC vai analisar o percurso que o órgão precisará ser transportado e, diante disso, vai acionar as Unidades da FAB necessárias para realizar essa missão. Normalmente, ele aciona o Comando Aéreo Regional (COMAR) tanto do estado do doador quanto do receptor. Nesse caso, são acionados os esquadrões da aviação de transporte. É o OCC quem realiza a avaliação operacional para acionar a aeronave mais adequada para cumprir a missão.

10) Além desse acionamento das aeronaves dos esquadrões de transporte de todo o Brasil, existe também uma aeronave VU-35 Learjet (avião a jato) do 6º Esquadrão de Transporte Aéreo, sediado na Base Aérea de Brasília, a qual foi designada como exclusiva para realizar esse tipo de missão e está de sobreaviso, podendo  ser acionada a qualquer hora ou dia. Também há um plantão de tripulações de forma que seja possível atender, com a maior celeridade possível, às demandas de transporte aéreo da CNT.

É importante lembrarmos que alguns dos transportes de órgãos realizados (tanto com, quanto sem a FAB), infelizmente, não resultam em transplantes, devido a vários fatores que podem inviabilizar a realização dos procedimentos (ex.: características do órgão, condições do receptor, etc.). Entretanto, todos os envolvidos na complexa logística de alocação dos órgãos doados se esforçam para que o maior número possível de órgãos retirados sejam efetivamente transplantados.

Todo o fluxo de acionamento das missões FAB está alinhado com a Central Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, resultando em cada vez mais transplantes viabilizados, pela logística de transporte disponibilizada pela FAB e por todos os demais parceiros nesse importante serviço de utilidade pública.

#salvandovidas 

A FAB realizou o transporte de um fígado para transplante de Salvador (BA) para Recife (PE), no dia 09/06. 

O Segundo Esquadrão de Transporte Aéreo (2°ETA) foi acionado em Recife e seguiu para Salvador com uma equipe composta por três tripulantes e uma enfermeira do Hospital Real Português. A aeronave C-95 Bandeirante, comandada pelo Tenente Cayo Cesar, decolou da cidade às 19h10, pousou na capital baiana às 21h03 e, às 23h35, já estava de volta a Recife. O doador é do sexo masculino e tinha 25 anos. Informações do paciente não foram passadas, já que são de caráter sigiloso. Confira mais detalhes dessa missão clicando aqui.

Nossos militares também transportaram um fígado para transplante de Natal (RN) para Fortaleza (CE) no dia 12/06. O órgão, conduzido pela aeronave C-95 Bandeirante do Esquadrão Pastor (2º ETA) - sediado em Recife, chegou às 18h30 na capital cearense e foi levado para o Hospital Universitário Walter Cantídio. 

A solicitação foi feita pela CNT ao Comando Geral de Operações Aéreas, que coordenou a operação com o Segundo Comando Aéreo Regional (II COMAR), também localizado em Recife (PE). A aeronave decolou da capital pernambucana às 13h, pousou em Natal 13h50 e partiu para Fortaleza às 17h10. 

De acordo com o comandante da aeronave, Tenente Aviador Cayo Cézar Farias Amorim, fazer parte de missões como essa é muito gratificante. “Como tripulante da aeronave da FAB, me sinto orgulhoso e com uma satisfação muito grande em poder participar desse tipo de ação. Acredito que a Força Aérea ao fazer essas missões está atendendo e servindo nossos irmãos brasileiros”, declarou o piloto responsável pela tripulação formada por mais dois militares. 

Saiba mais sobre essa ação clicando aqui

 

Conheça outros casos de atuação da FAB:

Em 2008, o Grupo de Transporte Especial (GTE) ajudou a salvar a vida de Ananda Layza Bomfin, que tinha apenas 5 anos. Ela decolou a bordo de um LearJet, de Brasília para São Paulo, para realizar um transplante de fígado no Hospital da Criança. 

Em 2011, a pequena Larissa precisava de um implante de coração e contou com a apoio de transporte da Força Aérea. Veja a história de Larissa publicada na Revista Aerovisão.

Em 2013, o 6º ETA realizou transporte de coração e pulmão de Hidrolândia-GO para Brasília. O receptor foi o primeiro paciente da região centro-oeste a ser submetido a um transplante de pulmão.

 

Também em 2013, ocorreu o primeiro transplante de pulmão do Centro-Oeste, que foi foi realizado no DF. O transporte da FAB foi fundamental para o sucesso da operação.

No mesmo ano, a FAB transportou o coração de uma criança de sete anos, de Canoas-RS para Brasília-DF. Uma criança de dois anos recebeu o órgão em uma cirurgia bem sucedida.

 

A aeronave C-97 Brasília transportou um fígado captado na cidade mineira de Passos para a realização de um transplante em um paciente no Rio de Janeiro. O 3º ETA foi o responsável pelo transporte do órgão.

 

Aeronave da FAB transportou coração para transplante de São Paulo-SP para Brasília-DF. Foi utilizado um Learjet do 6º ETA para a missão.

 

Avião da FAB realiza transporte de fígado para transplante em Recife.

 

Aeronave transporta órgãos para transplante. O órgão foi captado em Dourados-MS para um paciente de São Paulo. Aeronave C-95 Bandeirante do 4º ETA.

 

O Esquadrão Cobra (7⁰ ETA) levou esperança para cinco pessoas! Uma aeronave C-97 Brasília foi acionada para transportar dois rins, duas córneas e um fígado, de Rio Branco-AC para Brasília-DF. 

 

Então é isso, pessoal. Esperamos que este post tenha ajudado a esclarecer suas dúvidas ou até que você tenha descoberto coisas que não fazia ideia que eram realizadas! Afinal, esse é o objetivo desse blog, deixá-lo o mais informado possível sobre as ações da nossa Força Aérea!! Volte sempre! Estaremos por aqui... smile

 

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