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cb henriqueVocê provavelmente sabe que o Brasil participa diretamente da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, a MINUSTAH, afinal, o país é líder da missão e é lá onde estão a maioria dos boinas azuis brasileiros. O que você vai descobrir aqui hoje é que somos mais de 1,7 mil militares espalhados em nove nações, entre elas, Saara Ocidental, Líberia e Sudão. Confira ainda o depoimento de quem vence a distância de casa e atua em Missões das Nações Unidas pela preservação da paz no mundo inteiro. E a expectativa de quem está para embarcar. Vem com a gente!

 O quantitativo do contingente brasileiro em missões sob a liderança da ONU é composto por militares das três Forças Armadas além de policiais e bombeiros. Você já sabe, a intenção é contribuir para o estabelecimento da paz em áreas de conflito e estreitar o apoio do Brasil às nações de Chipre, Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Haiti, Líbano, Libéria, Saara Ocidental, Sudão e Sudão do Sul.

Além da MINUSTAH, o Brasil atua, por exemplo, na Força-Tarefa Marítima (FTM) da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) e na Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO).

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Peacekeepers

Existem três funções bem distintas do Peacekeeper das Forças Armadas. Os “mantenedores da paz” mais conhecidos são os batalhões e contingentes de um determinado país. É o pessoal direcionado para a Force Protection – a defesa e segurança dos locais e das pessoas. Nessa categoria estão os Batalhões de Infantaria de Força de Paz enviados pelo Brasil, os BRABATs. Aliás, #fiquesabendo, a partir de 2016, as tropas brasileiras deixarão o Haiti. Até o próximo ano, a expectativa é que o número no país seja reduzido dos atuais 1.343 militares para 850.

Os dois outros tipos de peacekeepers atendem por “staff” e “observador militar”. O primeiro atua em uma função mais voltada para o planejamento e comando, e ocupam células ligadas diretamente às autoridades da Missão. O Observador, por sua vez, é operacional, executor. Atua em campo, coletando informações e as reportando para os escalões superiores.

Brasil no Comando

A Missão no Haiti é sem dúvida a mais famosa no Brasil. Líder da MINUSTAH desde 2004, o Brasil comanda as forças de paz no Haiti, que tem a participação de tropas de outros 15 países. Até o 20º contingente já foram empregados mais 30 mil militares brasileiros, do Exército, Marinha e Aeronáutica, no país caribenho. O contingente inclui o Batalhão de Força de Paz (BRABAT), a Companhia de Engenharia (BRAENGCOY) e o Grupamento de Fuzileiros Navais.

 

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#ValeConferir As Forças Armadas brasileiras também estão desde 2011 no comando da missão de paz da UNIFIL (Força Interina das Nações Unidas no Líbano). A Marinha do Brasil mantém uma fragata na costa libanesa com o objetivo de impedir a entrada de armas ilegais e contrabandos no país árabe.

Além disso, a força naval – que pela primeira vez comanda uma missão de paz da ONU – tem a incumbência de colaborar com o treinamento da Marinha libanesa. Já a MONUSCO é comandada pelo general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz, que a pedido da ONU, encontra-se em seu segundo mandato à frente de uma tropa com 20 mil homens de 18 países.

A seguir, você confere depoimentos de quem fez, faz e fará parte de missões de paz da ONU. Uma visão interna de peacekeepers – Batalhão, Staff e Observador Militar – testemunhas de um mundo que precisa de nossa ajuda. Imperdível!

Eu fui para o Haiti

Sargento Brenno Almeida Pereira (08 meses no Haiti)

“Em 2012, a Força Aérea me proporcionou a oportunidade de participar daquela que considero, dentre tantas outras, a missão mais importante da minha vida até agora.

Poder integrar um Pelotão de Força de Paz foi uma experiência muito gratificante, onde pude sentir o verdadeiro significado do que é “ser um militar” e ao mesmo tempo representar o meu país, colaborando com a estabilização e a reconstrução de uma nação tão sofrida e totalmente destruída pelo terremoto e pelos conflitos civis.

A cada patrulha, cada missão, as energias se renovam, pelo simples fato de conseguir arrancar um sorriso de uma criança ou pelo gesto de grati
dão recebido nas ruas.

Foram 8 meses de noites mal dormidas, com muito suor e trabalho, saudade da esposa e filhas que aqui ficaram, mas que valeram cada segundo pela sensação do dever cumprido, em saber que o pouco que foi feito representou muito para quem vive com praticamente nada, sem nem saber o que comer no dia seguinte.

Com certeza, essa foi para mim e para todos os integrantes do 16º Contigente: “A missão de nossas vidas. ANSANM POU LAPÈ!”

Eu estou na Libéria

Tenente-Coronel Aloísio Secchin Santos (Staff há quase 02 meses na Libéria)

“Cheguei para a missão no dia 12 de abril, num voo que partiu de São Paulo, com conexão em Lomé, capital do Togo, e pernoite em Accra, capital de Gana. O começo de uma jornada que durará um ano. Já em solo africano, pude perceber as medidas de controle contra o ebola. Em todas as chegadas, checaram a temperatura dos passageiros e solicitaram que lavássemos as mãos em solução contendo água sanitária.

Percebi que a Libéria é um país muito pobre, com graves problemas econômicos e sociais, devastado pelos relativamente recentes conflitos internos, porém, percebi também que seu povo é de uma hospitalidade ímpar. Com 93% de desemprego, vê-se pobreza por todos os lados. Falta tudo: água, saneamento, escolas, transporte público, etc. Mas consigo andar pelas ruas sem receio. Apesar da penúria, há dignidade e respeito.

Quanto ao trabalho na ONU, é mais um desafio: adaptar-se a uma nova realidade, lidando com pessoas das mais diversas nacionalidades, línguas, culturas e costumes. Penso que a balança é desigual. Estou sendo realmente privilegiado por poder contribuir, mesmo que de forma limitada, para uma missão de paz. Os desafios se apresentam todos os dias, mas nada como um dia após o outro para solidificar conhecimentos e poder, em consequência, agregar algo de valor ao todo.”

#SaibaMais A UNMIL (Missão das Nações Unidas na Libéria), onde está o Tenente-Coronel Secchin, foi iniciada em setembro de 2003 pelo Conselho de Segurança da ONU para monitorar o processo de paz após duas guerras civis, que causaram graves problemas ao país.

Considerando as atuais condições de estabilidade política, a UNMIL está em processo de desmobilização, coordenado pela chefe da Missão, Karen Landgren, nomeada Representante Especial do Secretário-Geral e coordenadora das operações das Nações Unidas na Libéria. Com o controle da epidemia do ebola, especialmente após o país ser declarado livre do vírus pela Organização Mundial da Saúde, no último dia 9 de maio, as atividades de desmobilização são mais efetivas.

 

A UNMIL possui uma gama bastante variada de atribuições, desenvolvidas por componentes civis, militares e efetivos policiais. Dentro dessa realidade, especial atenção tem sido dada à questão de igualdade de gêneros. O Tenente-Coronel Secchin, por exemplo, é o responsável pela Seção de Ponto Focal de Gêneros no meio militar, que tem como principal função disseminar as orientações da ONU quanto ao tratamento igualitário entre homens e mulheres, proteção de civis e monitoramento de exploração ou violência contra mulheres e crianças, o que se faz por meio de palestras e reuniões, bem como por questionários voltados ao tema e visitas de inspeção a todo o contingente militar da Missão.

Eu vou para o Sudão

Major Tiago Cortat de Melo (Observador que embarcará para região entre o Sudão e o Sudão do Sul em agosto)

cortat“Tudo começa e termina com o voluntariado, requisito básico para trabalhar na ONU como observador militar e outras funções. Estou me preparando para trabalhar como Military Observer na UNISFA – United Nations Interim Security Force for Abyei – Sudão.

Nessa etapa, a preparação psicológica é fundamental, uma vez que as áreas de atuação da ONU são regiões e países que passaram ou vivem a violência da guerra. Então, é básico estarmos conscientes e preparados para o que poderemos ver nestas regiões, sobretudo as atrocidades que são causadas às crianças, mulheres e idosos, civis refugiados e deslocados que são, em resumo os mais fragilizados quando ocorre um conflito.

Antes do embarque, os militares designados são avaliados no idioma utilizado nas missões, o inglês, e participam do Curso de Preparação para Missões de Paz, realizado no CCOPAB, Centro Conjunto de Operação de Paz do Brasil, Rio de Janeiro. Lá são realizadas as instruções teóricas e práticas num ambiente semelhante ao que os futuros observadores e membros do staff vão encontrar em suas missões.

Ainda existem os protocolos sanitários da ONU: vacinação e inspeções de saúde, que devem ser cumpridas.peacekeepers01

Recentemente também fiz uma Formação na Língua Francesa no Canadá, voltada para o contexto militar, que também será aplicada durante a missão, pois o francês é a segunda língua utilizada na ONU e largamente falada no continente africano.

Desde que soube das intenções para onde eu serei enviado, comecei também a estudar o país, a cultura, os problemas etc.

#Incertezas Sobre a missão, é como um desafio. Por mais que nos preparemos, existe um misto de ansiedade e incerteza face ao desconhecido, mas ao conversar com outros companheiros que já participaram, e também com o apoio da família e entendendo o propósito da missão, isso aumenta a minha coragem.

Espero voltar com a certeza que representei bem a Força Aérea Brasileira, e o Brasil. Também quero retornar com domínio na prática do CIMIC – Civil-Military Co-operation, no contexto da ONU. E acima de tudo,espero voltar com a certeza de haver contribuído para um mundo melhor.

#Família Por questões de segurança na área da missão, a família não vai junto. Isso gera uma expectativa de ausência difícil de gerir, sobretudo com os filhos, mas conversamos muito e tento mostrar pra eles as razões e eles fingem que compreendem.”

Esse é o fim de nosso post sobre os peacekeepers no dia deles :D Compartilhe esse conhecimento e mostre seu apoio aos nossos boinas azuis!!! Fique com nosso vídeo em homenagem aos mantenedores da paz. Até a próxima! ;)

 

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