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Uma das primeiras imagens captadas dos
primórdios da Equipe Boinas Azuis.

Foi em uma mesa de um bar em Guaratinguetá (SP) que foram traçados os primeiros passos da Equipe Boinas Azuis da Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR). O ano era 1968. Essa mesma equipe, anos depois, representaria a FAB em competições de paraquedismo… Mas com outro nome… Os boinas azuis foram os precursores da Equipe Falcões de Salto Livre!

Os criadores da equipe, os Sargentos Carréra, Vaz, Graf, Amorim e Geraldo tiveram várias ideias, como o nome, o uniforme branco e, por último, como seria a estratégia para conseguir o apoio do então comandante da EEAR. Os membros da equipe tinham apenas dois saltos cada um, a não ser o Sargento Enfermeiro Geraldo, mestre de salto que, transferido do Depósito de Aeronáutica do Rio de Janeiro (DARJ) em troca de um desenhista, iria completar a equipe. O objetivo inicial era ministrar instruções de abandono de aeronave para os futuros sargentos dentro do programa da Infantaria (coordenado pelo Tenente de Infantaria Araújo) mas, durante os anos, esta missão principal evoluiu. Vamos agora conhecer essa história?

 

Início

A estreia da Equipe Boinas Azuis foi no dia 15 de dezembro de 1969, na véspera da formatura dos novos sargentos da Escola de Especialistas. A equipe saltou do avião bimotor C-45 Beechcraft, para espanto dos novos sargentos! Imagina só aqueles militares paraquedistas da FAB de boina azul-escura e boot preto descendo dos céus em Guaratinguetá… ” Éramos quatro decolando de um “mata sete”, como era chamado o C-45 da EEAr, que a ocasião dizia-se EEAer”, conta o agora Capitão da Reserva Amorim, de 73 anos. Hoje em dia, as decolagens são feitas dos C-105 Amazonas e dos C-95 Bandeirante, o nosso conhecido Bandera! Ficou curioso para conhecer os aviões da FAB? Assista ao programa FAB em Ação, da FAB TV.

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O C-45 Beechcraft da FAB pode ser visto no Museu Aeroespacial.

O nosso heroi veterano explica em detalhes o início dos boinas azuis: “Nós tínhamos uma equipe de paraquedistas com vontade de ministrar instruções de abandono de aeronaves em emergência para os alunos da Escola de Especialistas. Já tínhamos o equipamento, só faltava o instrutor e mestre de salto. Então, conhecemos o Sargento Geraldo, enfermeiro e mestre de salto operacional, com cerca de 400 saltos. Daí formamos a primeira equipe”. Quando surgiu a ideia da boina azul? “Tivemos como base a boina azul clara usada pelas tropas da ONU. O uniforme para as instruções era uma blusa branca com a calça azul do uniforme da FAB, e a faca de paraquedista do lado esquerdo. Era a única tropa paraquedista que usava boot preto”, lembra o Capitão Amorim. Ele criou a bolacha (como são chamados os emblemas na FAB…) da equipe, uma caveira com uma boina azul sobre um fundo vermelho.

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Este é o C-105 Amazonas do Esquadrão Arara

Demonstrações

Os boinas azuis, além de ministrarem as instruções para os alunos, faziam demonstrações na própria escola. Um fato marcante aconteceu em 1972, quando os nossos paraquedistas fizeram uma demonstração conjunta com o Exército e o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento, o PARA-SAR. O então Sargento Amorim decidiu que a equipe faria um salto com 20 integrantes e todos eles desceriam formando um “V”. Detalhe: ninguém sabia como isso seria feito! Ou seja, a ideia podia tanto dar certo quanto errado. Foi traçada, então, a estratégia: os boinas azuis saltariam a 100 metros do ponto de saída, com a diferença de 1 a 10 segundos. A tensão aumentava enquanto os paraquedistas desciam… o alívio veio no final, quando a exibição saiu perfeita! “Eu mesmo não sabia se ia dar certo, mas precisávamos tentar e chegamos sãos e salvos no campo de futebol”, conta Amorim.

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O nosso paraquedista Capitão Amorim foi um dos criadores dos boinas azuis

Na década de 1980, eles já eram conhecidos em todo o país, tanto pelas demonstrações quanto pelos treinos realizados em várias cidades. “Daquele início até os dias em que estivemos juntos, nós vivemos momentos de pura emoção, trabalho, sustos, sucesso e muita, mas, muita mesmo, alegria e satisfação. Fazíamos qualquer trabalho para descolarmos um bom salto de paraquedas, até mesmo saltando de torres de antena (com mais de dez metros de altura)”, lembra o militar.

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Quando vemos uma demonstração dos Falcões podemos ter uma ideia de como era a exibição dos Boinas Azuis

Estreia

A estreia dos boinas azuis nos campeonatos de salto livre esportivo foi em 1976, na cidade de Casa Branca (SP). Quando terminou o treinamento na Brigada de Infantaria Paraquedista, as três Forças Armadas participariam do 1º Campeonato das Forças Armadas. Mas, devido ao mau tempo, a disputa se transformou em um encontro, em que todos os participantes ganharam medalhas.

O Campeonato passou para o ano seguinte, quando os boinas azuis conquistaram o segundo lugar. O Exército foi o campeão. “A partir de 1978, nós nos organizamos para treinar sozinhos. O tempo era dividido entre as instruções da EEAR e o treinamento para as competições pela Força Aérea Brasileira em Precisão e Estilo. Nós éramos convocados pela Comissão de Desportos da Aeronáutica (CDA) somente na época das competições”, recorda o militar. Os boinas azuis venceram pela primeira vez o Campeonato Brasileiro de Paraquedismo na modalidade Precisão de Aterragem, em 1984.

Paraquedas

Depois do Campeonato, começaram a se organizar, compraram paraquedas adequados e participaram de seletivas de convocação para campeonatos. A CDA comprou o paraquedas Para Foil, usado nas provas de Precisão de Aterragem. Depois, em 1979, vieram os paraquedas Stratos Cloud. O equipamento foi encomendado nos Estados Unidos.

O Capitão Amorim lembra um detalhe importante: eles não escolheram as cores do equipamento! “Verdade, nós não escolhemos as cores dos primeiros paraquedas. Em casos como este, os norte-americanos mandavam o material com as cores da bandeira dos Estados Unidos. O curioso é que um dos integrantes da equipe, o Sargento Carvalho, queria um paraquedas preto. Ele dizia sempre: “Amorim, se vier um paraquedas preto, será meu”! Qual não foi a nossa surpresa quando abrimos a caixa e vimos aquele paraquedas preto! Para não ter perguntas do tipo “por que vocês não escolheram as cores”?, nós dizíamos que os paraquedas tinham as cores da bandeira de Guaratinguetá”, se diverte o militar. Imagina só, a equipe pousando em sequência na prova de Precisão de Aterragem e, no meio dos paraquedas azuis, vermelhos e brancos, vem um preto!

Curiosidades

Para quem acha que os saltos podem ser feitos apenas de aviões, o Capitão Amorim lembra que os atletas saltavam de helicópteros nos campeonatos. Mas, qual é a diferença? A vantagem do helicóptero é que ele chega mais rápido a altura adequada para o salto na prova de Precisão de Aterragem (3600 pés, o equivalente a 1200 metros). Até hoje o helicóptero é utilizado em campeonatos no mundo todo.

Outra curiosidade é a luneta de artilharia em “L” com que os juízes avaliavam os militares da prova de Estilo. Hoje em dia, existe o camera man, que registra as peças (figuras ou desenhos) no ar. Mais uma: hoje em dia, na prova de Precisão, a rosca, ou “mosca”, tem 2 cm e tudo é registrado em um equipamento eletrônico. Na época, a “mosca” tinha 10 cm e a conferência era feita no “olhômetro”!

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Esta é a “mosca”. Aquele ponto amarelo no meio são os 2 cm que os atletas tem de tocar com o calcanhar!

Saiba mais sobre as modalidades no site da FAB ou na fan page da FAB no Facebook. Conhece a prova de Precisão? Você pode ver aqui, na reportagem da FAB TV.

Falcões

Os boinas azuis existiram até 1997. No ano seguinte, veio a Equipe Falcões de Salto Livre. Mas aí já é outra parte da história, que vamos contar mais a frente…antes disso, você pode conferir imagens fantásticas dos falcões no Flickr.

 

Acompanhe o nosso blog e a cobertura do Campeonato Brasileiro de Paraquedismo Militar no site da FAB.

Veja aqui algumas fotos da Equipe Falcções de Salto Livre, durante o Campeonato Brasileiro de Paraquedismo das Forças Armadas, que aconteceu nos dias 07 a 14 de julho em Resende-RJ:

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Equipe principal de salto. Eles conquistaram o 2 º lugar no Campeonato Brasileiro da Paraquedismo das Forças Armadas.

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Sargento Antônio, da equipe principal

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Falcões antes do embarque.

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Sargento Mayumi, da equipe feminina

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Tenente Danielle e Sargento Elizângela Secco

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Capitão Gabriel na prova de Precisão de Aterragem

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