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i121130115125173497Você sabia que a Amazônia brasileira tem a extensão da Europa? É nessa região de dimensões continentais que está localizado o complexo de 12 unidades do Primeiro Comando Aéreo Regional (I COMAR), abrangendo os estados do Pará, Maranhão e Amapá, compondo a Amazônia Oriental. É lá que a Força Aérea Brasileira atua em localidades onde somente o avião chega, e foi lá que a frase “Eu sabia que vocês viriam” foi dita, expressando o sentimento dos brasileiros que habitam a nossa floresta ao avistar uma aeronave da FAB.

Uma floresta, dois comandos aéreos regionais

A presença da Força Aérea Brasileira na região amazônica ocorreu a partir de 1935 através do Correio Aéreo Militar, com o prolongamento da linha Teresina-Fortaleza até Belém. No ano seguinte, foi ativado o núcleo do 7º Regimento de Aviação. Em 1941, dentro das mudanças administrativas do então Ministério da Aeronáutica, foi criada a Primeira Zona Aérea, abrangendo os estados do Amazonas, Pará, Maranhão, e Territórios de Guaporé, Acre, Rio Branco e Amapá.

Já eram os primeiros passos para o controle da grande mancha verde que era a floresta para o país, e essa mancha passou a ficar mais nítida a medida que, pela terra e pelo ar, a Aeronáutica se fazia presente na região. Foi o período do que ficou conhecido como o Trinômio FAB/Missionário/Índio, que traduz a chegada do Estado e da educação formal para as comunidades que viviam isoladas do restante do país.

Em 1983, a região foi dividida em dois Comandos Aéreos Regionais, com a criação do VII COMAR. O I COMAR, que até o momento era a sede da Primeira Zona Aérea, passou a compreender os estados do Pará, Maranhão e Amapá, o lado oriental da Amazônia Brasileira.

Significativa é a denominação “primeiro”, que expressa o pioneirismo em diversas frentes, pois, conforme vamos conferir agora, as unidades ali presentes têm feitos que ultrapassam o espaço aéreo brasileiro.

AS UNIDADES PAI D’ÉGUA DO I COMAR

“Égua Esquadrão pai d’égua, Falcão”! O grito de guerra do Primeiro Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (1º/8º GAV, helicóptero) pode ser estendido a todas as organizações militares presentes na região, pois trata-se de expressão local do Estado do Pará para pessoas e fatos que impressionam. As características geográficas e climáticas exigem do efetivo que se faça além do possível, e a história comprova que aqueles que servem na Amazônia desconhecem limites.

Levar o avião onde nenhum transporte chega. Essa é a COMARA

Construir pistas onde não há qualquer ligação com outras regiões do país, essa é a missão da Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (COMARA). Criada em 1956, dentro do planejamento da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), a missão da comissão é a implantação da malha aeroviária da região. Nos seus 57 anos de atividade, já foram realizadas a construção e recuperação de 203  instalações aeroportuárias e vias públicas.

As balsas da COMARA levam toneladas de concreto para a construção de pistas no interior da floresta amazônica.

As balsas da COMARA levam toneladas de concreto para a construção de pistas no interior da floresta amazônica.

Simples, não? Imagine carregar toneladas de material para regiões sem estradas! Como o efetivo, composto por militares e civis, conseguiam sobreviver em meio à fauna e flora inóspita? Quem viveu nos primórdios da COMARA sabe o desafio que foi integrar a Amazônia ao país e levar cidadania às comunidades locais. O Major Dentista da Reserva Carlos Kizan Dias, que antes de ingressar no Quadro de Saúde da Aeronáutica serviu por 17 anos como sargento mecânico de aeronaves, lembra das primeiras ações da comissão na região: “Havia um grande esforço da COMARA e da então Primeira Zona Aérea, na época dos comandos do Brigadeiro Protásio e do Brigadeiro Camarão, para que os aviões pudessem pousar na terra e na água. A bordo do C-47 Douglas, levávamos apoio médico, mantimentos, combustível e equipamentos. Era uma maneira de oferecer a melhor infraestrutura para os que trabalhavam isolados nos canteiros de obras, o efetivo que ajudou no crescimento da Amazônia”.

Através de balsas que carregam toneladas de materiais e equipamentos, cruzando os rios da floresta amazônica, a COMARA cumpre sua missão de integrar a região Norte ao país.

Exemplo de pista construída pela COMARA em meio à mata fechada.

Exemplo de pista construída pela COMARA em meio à mata fechada.

 

“Eu sabia que vocês viriam”! Unidades que unem o verde à esperança

A presença da floresta amazônica faz com que muitos locais só sejam acessíveis de forma rápida através das aeronaves da Força Aérea Brasileira. Uma das aeronaves mais lembradas da região é o PBY – Catalina, conhecida pelas diversas missões de busca e resgate realizadas no início da atuação da FAB no Norte do país, pousando em terra ou na água. “O Catalina foi o orgulho da minha vida e de muitos catalineiros. Cada Catalina tem sua história na Amazônia, pois sua chegada às comunidades que viviam no centro da floresta significava esperança”, relata o Suboficial da reserva e mecânico de voo Almir Prata Machado, que tem 14.725 horas de voo.

A Associação Brasileira de Catalineiros, sediada em Belém, reúne todos os militares que atuaram ou se identificam com as missões realizadas pelo Catalina.

Membros da Associação Brasileira de Catalineiros em frente à aeronave PBY-Catalina da Base Aérea de Belém.

Membros da Associação Brasileira de Catalineiros em frente à aeronave PBY-Catalina da Base Aérea de Belém.

Atualmente, há três esquadrões atuando na área de jurisdição do I COMAR. O Primeiro Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (1º/8º GAv, Esquadrão Falcão, asas rotativas), o Terceiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (3/7º GAv, Esquadrão Netuno, patrulha) e o Primeiro Esquadrão de Transporte Aéreo (1º ETA, Esquadrão Tracajá, transporte).

Estas unidades, tripulações e aeronaves, participam, além das missões de emprego da Força Aérea, de Ações Cívico-Sociais (ACISO), Evacuação Aeromédica (EVAM), apoio aos órgãos governamentais, à Marinha e ao Exército Brasileiro e apoio às Missões Indígenas.

Essas atividades não trazem benefícios apenas para quem é atendido, mas também para o efetivo que realiza as missões. “O Esquadrão Tracajá realiza diversas missões em apoio às comunidades e organizações que atuam na Amazônia. Uma que me marcou foi o apoio dado a uma equipe médica que atendia aldeias no Parque Indígena de Tucumaré. Nunca esqueci os olhares de felicidade quando chegamos e os agradecimentos que recebemos” relata o 1º Tenente Aviador Jardel de Souza Santana, do Esquadrão Tracajá.

Imagem do local de pouso da aeronave no Parque Indígena de Tucumaré.

Imagem do local de pouso da aeronave no Parque Indígena de Tucumaré.

Integrando as missões, o efetivo do Hospital de Aeronáutica de Belém (HABE) está acostumado a atender pacientes em locais de difícil acesso, o que exige preparo para escolher os materiais corretos e realizar os procedimentos conforme as peculiaridades de cada comunidade. “Desde 2013, o HABE tem intensificado a realização de uma série de cursos de preparação para atendimentos em locais de difícil acesso, transporte de pacientes em aeronaves e atendimentos no próprio local. Há frequentes atendimentos em comunidades indígenas e canteiros de obras da COMARA. Esses cursos são importantes porque esses atendimentos são característicos da rotina do militar da área de saúde da Aeronáutica, não é algo que realizamos na atuação profissional no meio civil”, destaca a 2º Tenente Enfermeira Mônica Gomes Simões Medeiros, do HABE.

Oficial médico atende paciente em rede dentro de barco na Vila de Curuçambaba, município de Cametá (PA).

Oficial médico atende paciente em rede dentro de barco na Vila de Curuçambaba, município de Cametá no Pará.

Mas nem sempre as aeronaves precisam sair do solo para ajudar a comunidade do entorno. É na Base Aérea de Belém (BABE) que crianças conhecem as diversas especialidades das profissões da Força Aérea Brasileira, por meio do programa de visitas de escolas e instituições. Em 2013, entre as visitas realizadas, a BABE recebeu crianças e adolescentes da Associação Colorindo a Vida, entidade civil que atende pessoas em tratamento de câncer. 

Palestra sobre aviação para crianças na Base Aérea de Belém.

Palestra sobre aviação para crianças na Base Aérea de Belém.

Também ocorreu a visita de alunos da Escola Estadual Madre Rosa Gattorno, onde é realizado o Projeto Profissões. Após perguntar às crianças de 10 a 12 anos o que queriam ser no futuro, a professora Cristina Alves Damião descobriu que grande parte delas desejava ser assaltante ou traficante de drogas, por associarem as práticas ilícitas verificadas na comunidade ao dinheiro fácil e à satisfação de desejos pessoais. Foi então que a professora criou o projeto, com o intuito de mostrar aos alunos pessoas da comunidade que tinham profissões honradas.

Os oficiais aviadores, em solo, organizam as visitas e, quando há disponibilidade, realizam voos pelo entorno da cidade, realizando o sonho de muitas crianças de voar pela primeira vez. “Receber essas crianças foi motivo de muita felicidade. É indescritível a sensação de enxergar o brilho nos olhos delas ao verem as aeronaves de combate de perto e ao conhecerem o trabalho dos nossos militares. Sinto-me honrado em ter a oportunidade de contribuir para a boa imagem da Força Aérea, principalmente para um público que representa o futuro da nossa nação” relata o 1º Tenente Aviador Adriano Takeo Oba, do Esquadrão Falcão.

Estudante que sonha ser aviador realiza primeiro voo em aeronave do Esquadrão Tracajá.

Estudante que sonha ser aviador realiza primeiro voo em aeronave do Esquadrão Tracajá.

 

Cidadania sem fronteiras: Batalhão Marajó vai ao Haiti

O Batalhão de Infantaria da Aeronáutica Especial de Belém (BINFAE-BE), conhecido como Batalhão Marajó, apoia todas as atividades da Força Aérea na região, atuando nas áreas de segurança e defesa. Mas o trabalho dos “audazes do Norte”, como diz seu hino, irá ultrapassar as fronteiras nacionais. Um pelotão será movimentado em maio para integrar o 20º Contingente Brasileiro na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH).

Do efetivo de 29 militares, 27 são paraenses, o que tem sido motivo de orgulho para a comunidade local e para a guarnição, que vê nos colegas de trabalho exemplo de cidadania. “É uma grande oportunidade integrar a MINUSTAH, que está atuando há cerca de 10 anos no Haiti. Quando era cadete escutava sobre os militares que serviram no local e sonhava em um dia poder participar. Há coisas que nós acabamos não praticando devido à rotina, então será muito importante participar da missão para poder exercer tudo o que eu aprendi para bem servir ao país e aos cidadãos que precisarem da gente. Com certeza, para o efetivo que irá comigo será uma missão única que somará muito para os haitianos e para nós” afirma o 1º Tenente de Infantaria Gustavo Moura de Oliveira, que tem curso de formação em busca e resgate (PARA-SAR).

Escola regional, resultado internacional.

A Escola Tenente Rêgo Barros (ETRB), mantida pela Força Aérea Brasileira, acumula resultados positivos que contribuem para o crescimento científico e tecnológico da região Norte. Exemplo disso foi o trabalho realizado ao longo de 2013 pela coordenação da área de Biologia da ETRB. Dos seis projetos científicos desenvolvidos por alunos do Ensino Médio da escola, dois receberam prêmios na IV Mostra de Ciências e Tecnologia da Escola Açaí, realizada na cidade de Barcarena (PA) do dia 25 a 29 de novembro.

Na ocasião, o projeto “Programando em IAC e IMC para avaliar os índices de obesidade infanto-juvenil na ETRB” recebeu o Prêmio ABRIC (Associação Brasileira de Incentivo à Ciência) de Excelência em Iniciação Científica e credencial para representar o Brasil na Red Nacional de Actividades Juvenilles em Ciencia y Tecnologia, que será realizada em 2014 no México.

Alunos e professores da ETRB na premiação da IV Mostra de Ciências e Tecnologia da Escola Açaí.

Alunos e professores da ETRB na premiação da IV Mostra de Ciências e Tecnologia da Escola Açaí.

Controle e investigação para a prevenção: DTCEA-BE e SERIPA I

O controle do tráfego aéreo e a redução dos fatores de risco de incidente com aeronaves são os desafios do Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Belém (DTCEA-BE) e do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA I). O progresso ao longo dos anos da atuação da Força Aérea Brasileira na região Norte permitiu que hoje o DTCEA-BE gerencie uma extensa malha aeroviária que percorre o “continente” amazônico.

Já o SERIPA I se insere na floresta, se preciso, para realizar os procedimentos de investigação em locais que muitas vezes são de difícil acesso, com matas muito fechadas. Unidas, essas organizações militares zelam pelo fluxo seguro de aeronaves civis e militares na região.

SERIPA I realizou o I Seminário de Segurança de Voo para profissionais da aviação civil e militar em Belém.

SERIPA I realizou o I Seminário de Segurança de Voo para profissionais da aviação civil e militar em Belém.

 

O céu não é o limite! Centro de Lançamento de Alcântara (CLA)

Dentro das políticas de desenvolvimento tecnológico brasileiras, o Centro de Lançamento de Alcântara foi criado com o intuito de contribuir para as pesquisas que visam estabelecer competência no país para gerar, projetar, construir e operar um programa espacial completo, tanto na área de satélites e de veículos lançadores, como de centros de lançamentos.

Sem título

Ficção científica? Para a guarnição de aeronáutica do I COMAR é realidade. O CLA desempenha importante papel no avanço de pesquisas na área, e sua localização no município de Alcântara (MA) é privilegiada pelas características demográficas e climáticas. Mas, como toda unidade da Força Aérea Brasileira, além da sua atividade fim a unidade desempenha missão subsidiária cooperar com o desenvolvimento nacional e a defesa civil através da realização de ações sociais nas comunidades do entorno.

CLA.

CLA

Mas, e o dia a dia?

Percorremos diversas unidades do I COMAR que realizam trabalhos que se destacam, extrapolando nossos muros, chegando ao conhecimento da população em geral. Mas no âmbito interno temos unidades e seções que no seu trabalho “invisível” do dia-a-dia são as responsáveis por manter nosso efetivo pronto para atender à nação.

“Para onde eu vou, a pátria ordena, sigo contente o meu tambor”.

A Prefeitura de Aeronáutica de Belém garante que nossos militares, que percorrem o Brasil do Oiapoque ao Chuí para atender as necessidades da Força Aérea Brasileira, sejam bem recebidos na nova cidade, com moradias que atendam suas famílias, o que minimiza os transtornos que podem advir de uma vida repleta de mudanças. Em 2013 houve grande redução nas filas de espera com a entrega de dois conjuntos de apartamentos para atender oficiais e graduados, garantindo que o militar se dedique à nação e a sua família.

Desse modo, nosso efetivo pode seguir tranquilo para o trabalho e se dedicar às diversas seções que compõem as unidades. Há uma série de atividades administrativas do âmbito da Intendência (que é a administração na área militar), da engenharia, do ensino, do serviço social e do atendimento aos inativos e pensionistas que são gerenciadas na sede do I COMAR.

A alimentação servida pelo refeitório… Ou melhor, rancho, que é a denominação militar, também integra os militares das outras regiões através da culinária local, servindo o peixe com açaí, maniçoba, entre outras iguarias do Estado do Pará. E assim a região amazônica se insere nos corações daqueles que são designados à servir na área de jurisdição do I COMAR.

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Acabou? Não!

Também há o trabalho da Assessoria de Comunicação Social do I COMAR, que trabalha dia e noite para que você conheça as atividades das nossas unidades e saiba que pode contar sempre com a Força Aérea Brasileira na Amazônia Oriental. Vivemos para servir vocês, cidadãos brasileiros. Até a próxima!

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