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Parada(1)Se o seu sonho é ingressar na Força Aérea Brasileira e seguir carreira, este é o lugar! Conhecida como o Ninho das Águias, a Academia da Força Aérea (AFA) é uma instituição de ensino superior do Comando da Aeronáutica e, assim como uma universidade, a AFA oferece cursos nesse nível. Aquele que aqui se forma torna-se oficial de carreira da FAB, podendo chegar ao posto de Tenente-Brigadeiro, no caso dos aviadores.

E se você achava que aqui são formados somente pilotos militares (o termo mais utilizado é Aviador), e que a rotina desses é apenas “aprender a pilotar”, está bastante enganado. Mais uma vez comparando com uma universidade, a AFA oferece diferentes cursos, que são o Curso de Formação de Oficiais Aviadores (CFOAv), Intendentes (CFOInt) e de Infantaria (CFOInf). A missão da Academia, portanto, ganha um ar de nobreza: formar os futuros líderes da Força Aérea Brasileira. E isso é levado muito a sério, afinal, a grande maioria dos oficiais que comandam as unidades da FAB já passaram por aqui, inclusive, o Tenente-Brigadeiro do Ar Juniti Saito, Comandante da Aeronáutica. Certamente seu sucessor também terá saído daqui.


Academia da Força Aérea

Academia da Força Aérea

Um pouquinho de história

A Força Aérea Brasileira foi forjada no período da Segunda Guerra Mundial, época em que era preciso preparar jovens para enviar ao front de batalha e deixar o país preparado para sempre preservar a sua soberania. Só que, até essa época, o país não tinha uma força aérea constituída e as aeronaves eram do Exército ou da Marinha. Mas, com os avanços da tecnologia e do emprego de aeronaves nas batalhas, em 1941, foi criado o Ministério da Aeronáutica e, com isso, os militares e equipamentos ligados à Aviação do Exército e da Marinha passaram a fazer parte da recém criada Aeronáutica.

Aqui vai uma curiosidade: você sabia que a Força Aérea Brasileira é mais antiga que a Força Aérea Norte Americana, com quem nos aliamos na Segunda Guerra Mundial? A USAF só foi constituída como força armada independente do seu Exército e Marinha em 1947, depois da guerra!

Construção dos primeiros hangares em 1955

Construção dos primeiros hangares em 1955

Foi nesse contexto que a Academia foi criada em, 1941. Aliás, naquela época, o nome era outro: Escola de Aeronáutica… e ficava no Rio de Janeiro! Somente em 1969 ela mudou seu nome para Academia da Força Aérea, ainda no Campo dos Afonsos, e somente em 1971 ela foi transferida para o interior de São Paulo, em Pirassununga, onde foi instalada permanentemente.

E antes da criação da Aeronáutica? Já havia uma escola, a Escola de Aviação Militar, criada em 1919 no Rio de Janeiro, que veio a se tornar a Escola de Aeronáutica em 1941 e Academia da Força Aérea em 1969.

Foto aérea do ano de 1958

Foto aérea do ano de 1958

Cursos

Se você imagina que os cadetes (o aluno de uma academia militar) têm uma vida repleta de adrenalina, com atividades operacionais de combate, você não foi totalmente certo na afirmação. A rotina é pesada, pois começa às 6h00 (em algumas épocas às 4h30) com término somente às 22h. Mas engloba também muita dedicação aos estudos.

Preocupada com a formação moral, cívica, ética e social, as atividades técnico-especializadas de cada curso têm tanta importância quanto as disciplinas acadêmicas comuns a todos. No campo acadêmico, são ministradas aulas nas áreas de exatas, Filosofia, Psicologia, Sociologia, Direito, Economia, Finanças, Gestão, Inglês e Espanhol, além das atividades físicas. Para ilustrar a importância dessas disciplinas, são noventa e cinco professores, entre civis e militares e, ao total, cento e quarenta e duas pessoas dedicadas integralmente ao ensino teórico-acadêmico.

Parada diária

Parada diária do Corpo de Cadetes da Aeronáutica

No campo militar, fazem parte das atividades instruções de ordem unida, armamento, munição e tiro, exercícios de campanha (exercícios que simulam situações de conflito – técnicas básicas de sobrevivência, combate terrestre, fuga e evasão em cenários hostis), salto de emergência com paraquedas, sobrevivência na selva (ficam dez dias na floresta amazônica!) e sobrevivência no mar (você gostaria de ficar quatro dias em alto mar, em um bote inflável?), sem contar viagens nacionais e internacionais de instrução que têm múltiplos propósitos.

Só para ter ideia, em 2013, a turma do último ano do CFOInf realizou estágio no Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) e no Batalhão de Operações Especiais (BOPE), no Rio de Janeiro.

Ao concluir o curso, o formando recebe dois diplomas: o de Bacharel em Administração com ênfase em Administração Pública e de Bacharel em Ciências Aeronáuticas (CFOAv), Ciências da Logística (CFOInt) ou Ciências Militares (CFOInf). Ou seja, em quatro anos, além de atividades especificamente militares, os cadetes se formam em dois cursos, dos quais normalmente somente um desses já exigiria um período equivalente. Isso dá uma dimensão de como é a rotina. E a exigência é altíssima!

Finalmente, quando você pensa que acabou, ainda falta mais um pouco! Ao término dos quatro anos, o cadete é declarado Aspirante-a-Oficial da Força Aérea Brasileira, posto em que permanece por nove meses realizando estágios e aprimorando-se em sua área. Ao término desse período, aí sim, o militar  é promovido ao posto de 2º Tenente, dando início a sua carreira como oficial.

Vamos conhecer um pouquinho de cada curso, em rápidas palavras, sobre o que acontece com o cadete assim que ele sai da AFA.

Curso de Formação de Oficiais Aviadores (CFOAv)

O sonho de muitos é realizado nesse curso, que forma os futuros oficiais aviadores. Ao longo do curso na AFA, todos os Cadetes Aviadores têm instrução no segundo ano no T-25 Universal e, no quarto ano, em simulador e no T-27 Tucano que compõem, respectivamente, a instrução primária e a instrução básica de voo. São muitos voos diários realizados na AFA e, por isso, há duas pistas e dois Esquadrões de Instrução Aérea (EIA).

Aeronave T-25

Aeronave T-25

O 2º EIA é responsável pela instrução de voo primário dos cadetes aviadores do segundo ano, onde os cadetes aprendem a voar com o T-25 Universal, fazendo  cerca de 50 horas de voo no ano. Terminada a fase primária, somente no quarto ano é que os cadetes aviadores voltam a pilotar. Mas aí já no 1º EIA, onde voarão cerca de 100 horas no T-27 Tucano, depois de terem feito uma adaptação no simulador dessa aeronave. E é necessário estudar muito! A parte teórica dada em sala de aula é vasta, e a exigência para permanecer na instrução aérea também. A dedicação se torna uma necessidade.

T-27

T-27 Tucano

Ao término dos quatro anos, os novos aspirantes passam um período de nove meses na Base Aérea de Natal (BANT), onde recebem treinamento Especializado de Voo na sua aviação, escolhida ao final do curso da AFA, de acordo com a demanda da FAB  e respeitando a classificação final dentro da turma.

Quando já na BANT, os novos Aspirantes Aviadores indicados para a Aviação de Caça terão instrução no A-29 Super Tucano. Esses serão os que farão missões como as de interceptação de aeronaves e ataque ao solo, com o emprego das aeronaves A-1, F-5, A-29 e, em breve, o Gripen, projeto vencedor do Programa FX-2.

Os Aspirantes da Aviação de Transporte terão instrução, na BANT, no C-95M Bandeirantes e futuramente realizarão missões como o de transporte de tropa, carga, ajuda humanitária, patrulhamento, reconhecimento, busca e resgate. Empregarão aeronaves como o C-95/P-95 Bandeirantes, C-97 Brasília, C-98 Caravan, C-130 Hercules, C-105 Amazonas, E-99, R-99, C-99, P-3 Orion e, em breve, o KC-390, dentre outras. Esses pilotos também farão uma segunda escolha ao longo do curso, quando farão a opção por especializarem-se na Aviação de Transporte, Patrulha ou Reconhecimento.

T-27

T-27

Por fim, os Aspirantes da Aviação de Asas Rotativas terão instrução, em Natal, no H-50 Esquilo e futuramente realização missões como as de busca e resgate, transporte de tropas, ressuprimento, ajuda humanitária, ataque ao solo e interceptação de aeronaves. Empregarão aeronaves como o AH-2 Sabre, UH-60 Black Hawk, H-34 Super Puma, H-36 Caracal, H-1H, dentre outras.

Curso de Formação de Oficiais Intendentes (CFOInt)

O Oficial Intendente é um “administrador militar”, responsável pela gestão e contabilidade da Força, que cuida de todos os provimentos de logística, pessoal, suprimentos, infraestrutura e tudo aquilo que faz a Força Aérea Brasileira funcionar. Um exemplo muito simples para entender a importância do seu papel: para fazer uma aeronave voar, são necessárias equipes para manutenção, peças de reposição, combustível, hangares, pista, equipamentos, armamento, controle, fardamento e  alimentação de todos os envolvidos. Uma infinidade de detalhes!

Veja bem. Não são os intendentes que fazem isso tudo, mas são eles que dão suporte para que isso tudo exista e funcione. E, em um eventual conflito armado, é a Intendência que provê todos os suprimentos necessários em campo, desde a água para beber até as barracas e munição.

Suporte logístico

Lançamento de fardos com provisões

Ao longo do curso, além de disciplinas em sala de aula, participam de instruções como execução orçamentária, planejamento, operações helitransportadas, ressuprimento aéreo e intendência operacional. Ao término do curso na AFA, o declarado Aspirante-a-Oficial é designado para uma unidade, escolhida de acordo com a demanda e respeitando sua classificação, onde realiza o Estágio Prático para Aspirante-a-Oficial Intendente (EPAInt), passando por todas as atividades de intendência da organização. Durante o Estágio, por três meses realizam uma das fases no Rio de Janeiro, onde têm contato com várias frentes da Intendência, como saúde, financeiro, controle interno e Intendência Operacional.

Curso de Formação de Oficiais de Infantaria (CFOInf)

Se os aviadores cuidam da soberania aérea voando, os infantes cuidam da soberania do espaço aéreo em solo. São eles os responsáveis por fazer toda a defesa e segurança de equipamentos, aeronaves, pistas e todo conteúdo sensível nas dependências das organizações da FAB. Além disso, cuidam da defesa antiaérea e, em caso de conflito armado, dão apoio em terra às operações aéreas. Por isso, além das disciplinas acadêmicas, os Cadetes de Infantaria recebem instruções como operações aeromóveis, operações de selva, estágio básico de combate em montanha, estágio em instrução de armamento e tiro, táticas de combate terrestre, artilharia antiaérea, contraguerrilha, contraincêndio, defesa química, nuclear e biológica e operações aeroterrestres.

Infantaria

Infantaria

Infantaria

Infantaria

Infantaria

Infantaria

Ao término, o Aspirante é designado para uma unidade militar quando, por um período de nove meses, realiza estágios em todas as áreas de segurança da organização, eventualmente realizando cursos de especialização de combate de acordo com a região.

Gigante!

Caso resolva pegar uma bicicleta ou mesmo correr ao redor da AFA, prepare seu fôlego e sua garrafinha d’água. São 38km de perímetro, 65km², 6.500 hectares (o equivalente a esse número em campos de futebol), 546 PNRs (casas onde moram os militares) e 2.600 militares, dentre esses, quase 800 cadetes. E, já que um dos cursos da Academia é de formação de oficiais aviadores, são quase 100 aeronaves para a instrução e para serviços administrativos: T-27 Tucano, T-25 Universal, C-95 Bandeirantes, UH-50 Esquilo, rebocadores e planadores – os dois últimos utilizados no Clube de Voo a Vela.

Para cumprir sua missão, o Comando da Academia conta com uma ampla estrutura: Batalhão de Infantaria, responsável pela defesa e segurança da AFA e diversas instruções operacionais; Divisão de Ensino, responsável pelas atividades acadêmicas dos cadetes; Divisão Administrativa, que cuida de todos os assuntos administrativos; Divisão de Instrução de Voo, que coordena todos os voos da Academia; Divisão de Suprimento e Manutenção, que mantém todas as aeronaves em operação; e o Corpo de Cadetes, responsável pela formação, disciplina e doutrina militar dos cadetes.

A AFA é tão grande que dentro dela estão sediadas outras quatro organizações militares . Todas, juntas, formam a Guarnição de Aeronáutica de Pirassununga. São organizações que possuem autonomia e direção próprias em relação à Academia, mas são administrativamente subordinadas a ela.

Unidades Sediadas

Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA)

Dispensada de maiores apresentações, a Esquadrilha da Fumaça fica sediada e é administrativamente subordinada à AFA. Aliás, um dos pré-requisitos para ser piloto do EDA é possuir horas de voo como instrutor dos cadetes na Academia. Os treinos do Esquadrão partem da AFA, e seu hangar para manutenção das aeronaves e trabalhos administrativos também lá está.

Aeronave do Esquadrão de Demonstração Aérea

Aeronave do Esquadrão de Demonstração Aérea

Esquadrão de Demonstração Aérea.

Esquadrão de Demonstração Aérea

Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Pirassununga (DTCEA-YS)

Criado com a missão de apoiar os voos de instrução, hoje o DTCEA-YS, além de cumprir seu papel original, é responsável por uma área aproximada de 30.000km² e controla todos os voos militares, comerciais e privados dessa área, o que lhe coloca uma área de atuação como a quinta maior em número de voos controlados no país, com cerca de 170.000 por ano. Só da AFA, controla cerca de 200 pousos por dia!

DTCEA

DTCEA

Fazenda da Aeronáutica (FAYS)

Você sabia que a Fazenda da Aeronáutica de Pirassununga é a única fazenda militar do Brasil? Pare para pensar. Já tinha ouvido falar em uma fazenda militar? Sua maior parte é composta de produção de cana de açúcar (quase 3.000 hectares). Nela, também, há um rebanho de 2.600 suínos, criados para o abate, e 300 vacas leiteiras que produzem 2.000 litros de leite por dia, de onde são produzidos vários derivados, como iogurte, queijo e doces. Já no alambique são fabricados, em média, 200 litros de cachaça artesanal por mês, que são vendidos no mercado local. Na Fazenda, também são fabricados açúcar, ração operacional, café e arroz. Tudo isso mantém produtivas as áreas da AFA que não são utilizadas para instrução e abastecem diversas organizações militares do IV Comando Aéreo Regional (COMAR) com sua produção.

Fazenda da Aeronáutica

Fazenda de Aeronáutica de Pirassununga

Prefeitura de Aeronáutica de Pirassununga (PAYS)

Veja bem: são 546 casas, 85km de vias, 41km de rede elétrica, 27km de rede de aguá e esgoto, 15,5km de rede telefônica e estação própria para tratamento de água. É necessário muita gente para cuidar disso tudo, e é isso o que  a PAYS faz.

Vila dos Oficiais

Vila dos Oficiais

Vila dos Suboficiais e Sargentos

Vila dos Suboficiais e Sargentos

Formas de ingresso

Você leu todo esse texto e seu sonho é passar por aqui? Então vamos lá, às formas de ingresso. São duas as modalidades de entrar para a AFA,  e vamos começar pela porta por onde  entra a maioria.

- Via EPCAR

A Escola Preparatória de Cadetes do Ar fica na cidade de Barbacena, interior de Minas Gerais, e é uma escola de ensino médio, cujo curso tem duração de três anos. O seu ingresso é por meio de concurso público e aqueles que se formam na EPCAR, de acordo com o seu aproveitamento e pelo número de vagas disponibilizadas, são automaticamente transferidos para a AFA. Uma observação: a Escola prepara os alunos para serem futuros Cadetes Aviadores e admite somente meninos com pelo menos 14 anos de idade, no mínimo. Como limite máximo de idade para ingresso, o candidato não pode fazer 19 anos no ano da matrícula. Ainda assim, ao terminar o ensino médio, é necessário passar pelas etapas de avaliação física, saúde, psicológica e psicotécnica .

- Direto para a AFA

Aqueles que já concluíram o ensino médio podem realizar concurso público para ingresso direto na Academia da Força Aérea. Semelhante ao vestibular, o candidato escolhe qual dos três cursos pretende realizar no momento da inscrição. Diferentemente da EPCAR, há admissão de mulheres para os cursos de Aviação e de Intendência, porém, não para Infantaria. A primeira fase é constituída de prova de conhecimentos, como em Língua Portuguesa, redação, Matemática, Física e Inglês. Os aprovados nessa etapa seguem para as seguintes (a partir daí, as mesmas dos alunos da EPCAR): Inspeção de Saúde, Exame de Aptidão Psicológica, Testes de Avaliação de Condicionamento Físico e, para os aviadores, Teste de Aptidão à Pilotagem Militar (o que falamos que se assemelha a um teste psicotécnico, a grosso modo). Fique de olho, pois o edital para exame de admissão é publicado entre os meses de abril e maio.

Uma vez aprovado, vida nova! Os quatro anos de curso são em regime de internato, podendo ser liberados aos finais de semana, feriados e férias. Uma vez na AFA, o cadete tem direito a hospedagem, fardamento, alimentação, atendimento médico e hospitalar, odontológico, um soldo e o ensino, é claro!

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Quer conhecer cada uma das aviações? Então veja nos links a seguir os posts que já escrevemos sobre cada uma.

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