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fpguetesueciaVocê sabia que o Brasil desenvolve foguetes de diversos tamanhos com bastante frequência? Sabia que, no território nacional, existem dois Centros de Lançamento, que são responsáveis por enviar esses engenhos aeroespaciais para o espaço? E que existem ainda diversas instituições que trabalham incansavelmente para permitir que esses foguetes cheguem ao destino e realizem os seus “voos” com o maior índice de acerto possível?

Se você, leitor do Força Aérea Blog, não sabia de tudo isso, permita-me apresentá-lo ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), organização do Comando da Aeronáutica, localizada em São José dos Campos (SP), que reúne a maioria das instituições responsáveis por executar o Programa Espacial Brasileiro.

Para melhorar o entendimento, é necessário explicar o sistema que envolve as atividades espaciais no Brasil. A Agência Espacial Brasileira (AEB) – organização civil responsável for formular e coordenar a política espacial brasileira – elaborou um documento chamado Plano Nacional de Atividades Espaciais (PNAE). De forma bem concisa, nessa “bússola” está escrito que cabe ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) criar o satélite e as suas aplicações e que incumbe ao DCTA desenvolver os foguetes e manter os centros de lançamento. E é basicamente no cumprimento dessas duas missões que muitos dos cerca de 5 mil colaboradores do DCTA, entre civis e militares, estão envolvidos na maior parte do tempo.

Organizações do DCTA e o PNAE

Vamos iniciar a parte mais específica da nossa conversa falando do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), organização que desenvolve soluções científico-tecnológicas em setores chave para o Programa Espacial Brasileiro. Para vocês terem uma ideia, foi no IAE que o nosso astronauta Marcos Pontes serviu durante boa parte da sua vida militar. Vamos, agora, aos projetos. Na área de Aeronáutica, um deles é o do Veículo Aéreo Não-tripulado Acauã. Esse veículo se caracteriza por não possuir tripulação a bordo, sendo que todo o controle e gerenciamento da missão é feito a partir de uma estação de solo, que se conecta ao avião através de uma conexão de dados via rádio. A plataforma de voo Acauã serve também como modelo para a pesquisa aplicada de novos sistemas de controle de aeronaves, que atendam aos desafios da aviação nas próximas décadas. O Acauã está na sétima campanha de ensaios. Saiba mais sobre o IAE.

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Veículo Aéreo Não-Tripulado Acauã em hangar no DCTA.

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A sétima campanha de ensaios do Acauã.

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Imagem das últimas simulações no túnel de vento TA-2. O TA-2, localizado na ALA, é um túnel aeronáutico com seção de ensaios
de 2,10m x 3m e capacidade de medição de escoamentos na faixa de velocidades de 5 a 120m/s.

Na área de Espaço, um das pesquisas desenvolvidas pelo IAE é a do Veículo Lançador de Satélites (VLS). Com ele, objetiva-se colocar em órbita um satélite de 200 kg a 750 km, ou uma variação dessa especificação. A conclusão deste projeto dará ao Brasil capacidade de, com autonomia e desenvolvimento próprio, projetar, fabricar, lançar, controlar, estabilizar e entregar uma carga útil em órbita terrestre, cumprindo assim as metas do PNAE e da Estratégia Nacional de Ciência Tecnologia & Inovação.

Depois de desenvolvido o Veículo Lançador de Satélites (VLS), qual é a próxima etapa? Para saber a resposta, vamos viajar para o Maranhão, onde está o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). É daqui que será lançado o VLS e a sua carga útil, o satélite, fechando o ciclo  que cabe ao DCTA e que foi iniciado pelo IAE com a construção do lançador. Para o CLA executar suas atividades com excelência, cerca de 900 pessoas, entre militares e civis, ocupam 8.713 hectares numa área estrategicamente escolhida. Cabe ressaltar que essa organização é uma das principais instalações do Programa Espacial Brasileiro e possibilita o máximo aproveitamento da rotação do planeta para inserção de veículos em órbitas equatoriais, o que gera grande economia de combustível. Criado na década de 80, o CLA é considerado o maior centro de lançamento da América Latina. Veja aqui como foi a Operação Salina.   Assista aqui o lançamento do foguete intermediário Águia I.

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A montagem do Veículo Lançador de Satélite (VLS-1) na nova Torre Móvel de Integração no Centro de Lançamento de Alcântara, em 2012.

Na cidade de Parnamirim, no Rio Grande do Norte, está localizado o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI). O nome exótico deste Centro, que é o mais antigo do nosso país, merece explicação: existe uma lenda que os pescadores de Natal, ao voltarem do trabalho em suas pequenas embarcações, ao amanhecer, viam do alto mar o reflexo dos raios solares em tons avermelhados nas falésias, e contavam que eram labaredas de fogo. Passaram a chamar o local de “Barreira do Inferno”. A curiosa lenda deu origem ao nome da organização que é responsável, por exemplo, pelo rastreamento do foguete Ariane desde o seu primeiro lançamento, atividade que firma o CLBI como um dos principais parceiros da Agência Espacial Europeia (ESA). O primeiro foguete lançado do CLBI foi o Nike Apache e depois disso já foram lançados importantes engenhos espaciais, como o Sonda IV e o VS30. Em breve será lançado do CLBI um veículo ainda maior, o VS-40, transportando a carga útil SARA Suborbital.

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Imagem do lançamento do foguete ORION V05, a partir do Lançador Móvel de Foguetes, recebido da Agência Espacial Alemã (DLR).
O voo fez parte da Operação Brasil-Alemanha, em 2011.

Boa parte das atividades do Programa Espacial Brasileiro (PEB), como pôde ser lido até aqui, cabe a instituições vinculadas ao DCTA. Mas existem outras organizações que desempenham diversas funções de fundamental importância para o desenvolvimento da indústria aeronáutica do país. Muitas delas são reconhecidas internacionalmente pela qualidade dos projetos planejados e executados. No total, são 12 unidades que fazem parte deste “guarda-chuva” maior chamado DCTA. Até agora, conhecemos aquelas que estão ligadas diretamente ao PEB. Vamos conhecer as outras também??

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Lançamento de Foguete Intermediário no Centro de Lançamento de Alcântara.

Institutos

O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) é uma escola voltada ao ensino superior conhecida nacionalmente e que atrai todos os anos milhares de jovens – somente no último vestibular, foram 7.279 candidatos – que mantém o sonho de se tornarem engenheiros em uma instituição que é referência de qualidade no Brasil e no mundo. Inspirado fortemente no Massachusetts Institute of Technology (MIT), desenvolve ensino, pesquisa e extensão em alto nível no Comando da Aeronáutica. No ITA, são oferecidos cursos de Engenharia em níveis de graduação (civil aeronáutica, eletrônica, mecânica aeronáutica, aeroespacial, de computação e aeronáutica) e de pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado).

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Campus do ITA em São José dos Campos (SP).

O ITA já foi objeto de descrição detalhada aqui no Força Aérea Blog.  Para saber muito mais sobre essa importante instituição vinculada ao Ministério da Defesa, e não ao de Educação – um dos fatores que torna o ITA único no cenário nacional –, desça a barra de rolagem do seu navegador e aproveite! Mas não se esqueça de voltar para cá: o DCTA tem muitos outros projetos que vão fazer você se encantar pelo setor aeroespacial.

Abrir caminhos dentro do DCTA na fronteira do conhecimento fica a cargo do Instituto de Estudos Avançados (IEAv), que desenvolve a pesquisa básica e aplicada. As áreas de atuação do instituto abrangem Fotônica, Física Nuclear, Energia Nuclear, Proteção Radiológica e Sistemas Computacionais de Apoio à Decisão, além de projetos nas áreas de Termodinâmica e Hipersônica. Conheça os projetos do IEAv.

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O 14-X é um projeto do IEAv de uma aeronave hipersônica capaz de dar a volta ao planeta em poucas horas sem precisar queimar combustível fóssil.
O 14-X será capaz de atingir dez vezes a velocidade do som (mais de 11.000 km/h).

Chegou a hora de falar sobre o Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo (IPEV).  As suas amplas instalações incluem hangares, estação de telemetria, sistemas de trajetografia fixa e móvel, laboratórios de instrumentação e calibração e salas de aula. “Mas por que salas de aula??”, você deve estar se perguntando! Porque no IPEV nós temos a Divisão de Formação em Ensaios em Voo (EFEV), uma escola que tem a missão de formar Pilotos e Engenheiros de Prova. Eles têm a oportunidade de voar em uma gama enorme de aeronaves, como o F-5, o A-1 e o Bandeirante, na modalidade Asa Fixa, e o Pantera e o Black Hawk, na Rotativa. O EFEV é a única escola do gênero no Hemisfério Sul e no mundo existem apenas quatro similares. Muito bom, não é mesmo?

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Alunos do XXIII Curso de Ensaios em Voo – XXIII CEV. Os pilotos e engenheiros aprenderam a elaborar relatórios e avaliaram
16 aeronaves, entre elas, EMBRAER 190, F-16, F-18 e MIRAGE 2000.

O fomento da indústria aeroespacial brasileira também passa pelo Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI). O IFI presta serviços nas áreas de Normalização, Metrologia, Certificação, Propriedade Intelectual, Transferência de Tecnologia e Desenvolvimento Industrial. Dessa forma, proporciona suporte à segurança de voo e apoia diversas atividades de C&T das organizações do Comando da Aeronáutica e da indústria aeroespacial nacional. O IFI também é responsável pelo patenteamento de tecnologias desenvolvidas pela Aeronáutica e pela transferência dessas tecnologias para o setor industrial. Pode-se citar a  certificação dofoguete de sondagem VSB-30, lançado na Suécia em 2011. Já por meio do offset, atua no recebimento de benefícios pelo Governo Brasileiro em contrapartida a aquisições feitas no exterior, como no Projeto F-X2 e no Projeto H-XBR.

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Lançamento do foguete VSB-30 em Esrange, na Suécia, cooperação entre o Brasil e a Agência Espacial Alemã (DLR).
O foguete é certificado pelo IFI e pela Agência Espacial Europeia.

Apoio

Agora vamos falar sobre as demais organizações vinculadas ao DCTA, mas que não recebem a classificação de institutos. Na esteira do cumprimento da missão institucional e da ampliação do ITA, o DCTA criou duas organizações militares para dar suporte à instituição de engenharia do Comando da Aeronáutica. O Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de Aeronáutica de São José dos Campos (CPORAER-SJ) é ainstituição responsável por ministrar aos alunos do ITA o treinamento militar necessário à preparação para o oficialato. No primeiro ano do curso, todos os “iteanos” são matriculados também no CPORAER-SJ e recebem instruções como ordem unida, prática de tiro e de educação física, além de realizarem o exercício de campanha. A Comissão de Obras (CO-DCTA) foi criada em 2012 e tem a responsabilidade de coordenar, acompanhar e fiscalizar as obras civis de expansão do ITA. É isso mesmo, leitor do Força Aérea Blog: o ITA está expandindo sua estrutura para receber ainda mais alunos todos os anos!

Para que todas as instituições possam executar a sua atividade-fim de forma plena, é  fundamental que tenha uma organização dando o apoio necessário, não é verdade??? Com essa missão, surgiu o Grupamento de Infraestrutura e Apoio de São José dos Campos (GIA-SJ).  Cabe ao GIA-SJ executar as atividades de saúde, de infraestrutura, de apoio administrativo e de segurança e defesa ao DCTA e, quando necessário, às demais organizações militares do Comando da Aeronáutica sediadas em São José dos Campos. O GIA-SJ mantém as Divisões de Saúde (DS) e Odontologia (DO), o Núcleo de Serviço Social (NUSESO), o Batalhão de Infantaria (BINFA), além de diversas divisões administrativas que ajudam o DCTA a cumprir a sua missão. Um das atividades de destaque é a de Equoterapia, que o NUSESO realiza em parceria com BINFA. Nela,  dezenas de crianças veem características de doenças como a Síndrome de West, a Síndrome de Down e a Epilepsia perderem força todos os semestres.

A Prefeitura de Aeronáutica de São José dos Campos (PA-SJ) junta-se ao GIA-SJ na função de dar apoio às atividades institucionais. O DCTA é uma unidade gigantesca, que ocupa uma área de mais de 11 milhões de m². No seu interior, existem 911 próprios nacionais, ou seja, residências na vila militar, que precisam ser administrados e bem conservados. A missão primordial da PA-SJ é essa, leitor: manter em ordem as casas que são cedidas aos civis e aos militares que passam a trabalhar no DCTA e, por consequência, a fixar residência em São José dos Campos.

Por fim, e não menos importante, temos a Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), uma organização militar vinculada ao DCTA, mas que está sediada em Brasília (DF). Essa organização está encarregada do gerenciamento de projetos estratégicos da FAB e tem a função de administrar contratos de compra, modernização e desenvolvimento de aeronaves e armamentos. Entre as principais iniciativas desenvolvidas atualmente está o Projeto F-X2, que culminou com a escolha do caça sueco Gripen NG, anunciado em 2013, e o desenvolvimento do KC-390, novo avião de transporte e reabastecimento em voo da FAB. Esses projetos são apenas os mais recentes. A criação da COPAC, na década de 80, remonta ao projeto do jato A-1, desenvolvido em uma parceria do Brasil com a Itália, o projeto ALX, que entregou à FAB 99 aeronaves A-29 Super Tucano, a modernização dos aviões de caça A-1 e F-5 e o desenvolvimento de mísseis sofisticados. Além disso, a unidade coordena o programa  H-XBR (EC 725), projeto conjunto das Forças Armadas que reforça o uso de tecnologia nacional. Muita responsabilidade, concorda?? Isso é o DCTA!

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A escolha do novo caça da FAB, o Gripen NG, teve origem nos estudos do Projeto FX-2, da COPAC. Imagem: SAAB.

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O KC-390 será a nova aeronave da Aviação de Transporte da FAB. O primeiro voo está previsto para este ano. Imagem: Embraer.

Agora, convido a todos vocês que curtiram a apresentação das diversas organizações que compõem o DCTA a se aprofundarem mais sobre a nossa instituição. Temos diversas ações nesse sentido! Na Assessoria de Comunicação do DCTA, você e sua escola/faculdade serão muito bem recebidos pelo nosso Programa de Visitação, conduzido pela Tenente Relações Públicas Priscila Borges. Além disso, cada organização citada aqui possui a sua Seção de Comunicação Social que, entre as diversas atividades, mantém as páginas na internet, as quais oferecem informações mais completas sobre as suas atividades-fim. Convido-os a entrar no universo da tecnologia aeroespacial. Venha conhecer o DCTA!

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