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Foto 8Localizada na região Centro-Oeste, em Mato Grosso do Sul, próxima as fronteiras com o Paraguai e Bolívia, a Base Aérea de Campo Grande (BACG) desempenha papel de grande importância para a Força Aérea Brasileira. Abrigando três Unidades Aéreas e o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento, o PARA-SAR, transferido para a BACG em 2010, é considerada uma das mais importantes dentro da FAB.

Com um efetivo aproximado de 1.600 integrantes, entre militares e funcionários civis, ainda apoia administrativamente o Destacamento do Controle e Espaço Aéreo de Campo Grande (DTCEA-CG) e a Prefeitura de Aeronáutica, que administra 370 residências. Conheça a seguir um pouco da vida e da história da Sentinela Alada do Pantanal.

Integração

Para a maioria das pessoas que passam em frente a um quartel militar, seja ele da Marinha, Exército ou Aeronáutica, ainda paira uma aura de mistério. “O que será que ‘eles’ fazem aí dentro?”, “Como é o trabalho dessas pessoas que vestem farda?” “Militar é mesmo carrancudo e rígido demais?”. Essas são apenas algumas das indagações mais comuns. Embora a abertura das organizações militares seja hoje bastante ampla, ainda há muita curiosidade e especulações.

Para mostrar o que fazem e que não há nada de carrancudo na vida em caserna, todos os anos os militares promovem diversos eventos. A Unidade se empenha bastante nisso, conseguindo aproximar a comunidade sul-mato-grossense dos militares da Aeronáutica.

Isso faz parte, na realidade, de uma diretriz do Alto Comando, que se preocupa em mostrar para o público o importante trabalho que é realizado dentro de suas bases. Além disso, estes eventos acabam despertando o interesse em muitos jovens pela carreira militar.

Bom exemplo disso são os Portões Abertos, uma grande festa que reúne cerca de 35 mil pessoas, que podem assistir a apresentação da Esquadrilha da Fumaça, saltos de paraquedistas, demonstrações de resgate com helicóptero, exposição de material aeronáutico, entre muitas outras atrações, como um animado encontro de carros antigos que já se tornou tradição na cidade.

Portões Abertos.

Portões Abertos na BACG

Outra importante forma de estreitar laços com a população é a parceria com escolas e instituições de ensino, para que seus alunos possam conhecer a Organização Militar. Todos os anos, são recebidos mais de seis mil visitantes, entre estudantes e pessoas que querem descobrir um pouco mais da história da aviação militar na região. A Base Aérea mantém sempre aberta sua Sala Histórica, que possui um rico acervo, aberto para consulta de estudantes.

Para prestar informações, ninguém melhor que o “Historiador de Dia”, cargo ocupado por militares da reserva, antigos servidores da BACG, que se dispõem, de maneira voluntária e com muita simpatia, a recontar a história e reviver a bonita trajetória da aviação na região. Essa turma contribui, ainda, para a permanente integração do pessoal da reserva com a Instituição atual, proporcionando o saudável convívio entre gerações.

Visita de escolas à Sala Histórica da BACG.

Visita de escolas à Sala Histórica da BACG.

Os Esquadrões

Uma das maiores razões de existir de uma Base Aérea são as unidades que ela abriga. Apoiar os esquadrões de voo com uma estrutura administrativa bem organizada, instalações adequadas – sempre em constante crescimento – e dar suporte ao militar e sua família, com um hospital moderno e bem equipado, uma vila residencial com casas amplas, ruas bem cuidadas e uma completa estrutura de lazer, tem sido uma das metas da Base Aérea de Campo Grande desde sua criação.

Atualmente, a BACG sedia três importantes Esquadrões Aéreos: o 1º/15º GAV, Esquadrão Onça, responsável pelas missões de transporte e apoio ao Exército Brasileiro nos seus mais distantes destacamentos da fronteira oeste do País; 2º/10º GAV, o Esquadrão Pelicano, especializado nas missões de busca e resgate, atuando em todo o Brasil na nobre tarefa de salvar vidas; e o 3º/3º GAV, Esquadrão Flecha, o mais recente integrante da BACG e que tem a atribuição de vigiar nosso espaço aéreo com suas modernas aeronaves A-29 e pilotos bem treinados. Além deles, a BACG ainda conta com a presença do PARA-SAR, unidade de elite da FAB e que tem a tarefa de executar Operações Especiais.

Esquadrão Onça

Em novembro de 2008, fortes chuvas atingiram o estado de Santa Catarina, deixando milhares de desabrigados e matando mais de uma centena de pessoas. O Brasil inteiro se lançou numa grande campanha para ajudar. Centenas de toneladas de alimentos, roupas, água, remédios e até brinquedos foram arrecadados em todas as regiões. Somente em Mato Grosso do Sul os donativos passaram de 200 toneladas.

As águas que desabrigaram os catarinenses também destruíram estradas e isolaram diversos municípios. Fazer esses alimentos chegar ao seu destino tornou-se um desafio. Transportadoras com seus caminhões se prontificaram a levar parte dessa preciosa carga. A Força Aérea também entrou na batalha e disponibilizou seus aviões. Um deles foi o C-105 Amazonas, do 1º/15º Grupo de Aviação, o Esquadrão Onça.  Essa missão foi o batismo da aeronave que, a época, contava com apenas três meses em Campo Grande.

Lançamento de cargas realizado pelo Esquadrão Onça.

Lançamento de cargas realizado pelo Esquadrão Onça.

Foram transportados em poucos dias mais de 20 toneladas para os municípios atingidos, provando a nova capacidade do Esquadrão em sua missão de transporte. Os militares envolvidos, além de poder mostrar a operacionalidade na máquina, vieram de Santa Catarina com a ótima sensação do dever cumprido e com a certeza de que novos tempos chegaram para os Onças.

Outra missão de grande relevância foi o socorro às vítimas do incêndio na Boate Kiss em 2013, na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Na ocasião foi montada a bordo do C-105 do Esquadrão uma UTI aérea, com sete leitos, a maior deste tipo já montada no Brasil. Os militares do Onça transportaram dezenas de feridos até centros médicos com maior recurso, ajudando a salvar muitas vidas.

Esquadrão em ação durante o apoio às vítimas do incêndio na Boate Kiss.

Esquadrão em ação durante o apoio às vítimas do incêndio na Boate Kiss.

O começo

Ativado em 17 de setembro de 1970, o 1º/15º GAV, foi inicialmente equipado com aviões C-115 Buffalo, que ficaram no serviço até 1980, quando foram substituídos pelos C-95B Bandeirante, que integram acervo de aeronaves do Esquadrão até os dias de hoje, juntamente com sua mais nova aquisição as aeronaves C-105 Amazonas.

Nos seus quase 40 anos de existência, o Esquadrão voou mais de 20.000 horas, percorreu cerca de 9 milhões de quilômetros e transportou mais de 10 mil toneladas de carga, além de 70.000 passageiros entre civis e militares. O Esquadrão Onça, que desde a sua ativação, é subordinado operacionalmente à V Força Aérea, situada na cidade do Rio de Janeiro (RJ), sempre esteve vinculado à Base Aérea de Campo Grande administrativamente.

Dos três esquadrões sediados atualmente na BACG, é o mais antigo e, por suas tradições e espírito guerreiro, encontra-se perfeitamente integrado à geografia sul-mato-grossense. É nesta região que desempenha sua importante missão de transporte aéreo para a FAB, bem como em apoio às forças irmãs – Marinha e Exército – além de órgãos de segurança, como a Polícia Federal. Responsável por significante parcela do esforço empreendido para manutenção do corredor aéreo logístico militar da região, ligando, os grandes centros, é chamado, constantemente, ao cumprimento de missões que exigem de seus pilotos o máximo de proficiência.

Tal qual uma onça pantaneira, nenhum outro Esquadrão é mais aguerrido e conhece os segredos do Pantanal. Lançando paraquedistas, apoiando Destacamentos de fronteiras, navegando à baixa altura, pousando em pistas despreparadas e críticas, o Esquadrão é sinônimo de eficiência em todo o leque de missões de transporte aéreo. Com a aquisição da aeronave C-105 Amazonas, o Onça está melhor preparado para bem cumprir essas missões, não só na região como em todo território nacional. Este apoio pode, inclusive, se estender para outros países.

Bolacha representativa do Esquadrão Onça.

Bolacha representativa do Esquadrão Onça.

Momentos ONÇA

Sendo a única Unidade Aérea de Transporte da região Oeste do País, o Esquadrão Onça desempenha um importante papel social local. Dentre as inúmeras missões executadas, destaca-se a auxílio na construção de três cidades na região norte de Mato Grosso, na década de 70: Vera, Sinop, Aripuanã, quando transportou desde casas pré-fabricadas até gado vivo, na época, com seus aviões C-115 Buffalo.

Também participou na construção da rodovia Transamazônica, em que transportou óleo diesel, peças diversas, comida e pessoal. Apoiou ainda o levantamento cartográfico do Rio Paraná e as vítimas da seca da Amazônia em 2005 nas cidades de São Paulo de Olivença, Ipiranga e Estirão do Equador, às quais transportou alimentos, água e remédios.

Participou ainda do socorro as vítimas da enchente do estado de Santa Catarina, no início da década de 80 e em 2008.

Em sua missão o Esquadrão Onça assiste os deslocamentos de pessoal e material aos pontos mais remotos, muitas vezes isolados e sem infra-estrutura de todo país, principalmente, da região Centro-oeste. É um vetor fundamental às Unidades de fronteira da Marinha e do Exército Brasileiros, ligando, integrando e desenvolvendo a região e o Brasil.

Esquadrão Pelicano

“O Pantanal é um mundo de águas”. Essa frase cai mesmo como uma luva para a região, riquíssima em fauna e flora e banhada por dezenas de rios e corichos que, na época das cheias, isolam lugarejos inteiros, fazendo com que o barco, ou a chalana, seja o único meio de transporte.

Numa dessas cheias, a fazenda Baía Pacau, distante cerca de 400 quilômetros de Campo Grande, ficou praticamente ilhada. O povo pantaneiro sabe conviver muito bem com essa situação e já se habituou a tirar seu gado das regiões mais baixas, para que ele não morra, e a estocar o alimento necessário para o longo período sem contato com outros lugares.

Esse isolamento traz também alguns perigos, como a história do garoto Rafael Jaques de Oliveira, de apenas 5 anos. Ele brincava próximo a casa da fazenda. Ao passar por um pedaço de mato mais alto, ouviu um barulho que vinha do chão e sentiu uma forte dor no tornozelo direito. A dor vinha da mordida de uma jararaca, uma das cobras mais comuns e perigosas da região. O veneno, injetado no menino poderia matá-lo em pouco tempo caso não recebesse socorro adequado. Com o rádio da fazenda a família pediu socorro.

O pedido chegou ao ninho dos Pelicanos. Em poucos minutos, um helicóptero H-1H decolou da Base Aérea de Campo Grande. A bordo, além dos dois pilotos, mecânico e um artilheiro, está o Tenente Médico Smanioto, recém chegado ao esquadrão e que partia para sua primeira missão.

Resgate realizado pelo Esquadrão Pelicano.

Resgate realizado pelo Esquadrão Pelicano.

O voo demorou quase 2 horas e, a bordo, todos estavam ansiosos para chegar ao menino. Não sabiam de seu estado de saúde. O que tinham certeza é que em seu corpo circula o veneno da cobra e que os danos podem ser irreversíveis e levar Rafael a morte. Quando o helicóptero pousa a família já está à espera. O médico desce rápido e pega Rafael nos braços. Sua mãe embarca junto no helicóptero.

Em voo, o menino recebe os primeiros cuidados. Ele parece bem e só reclama de muita dor na cabeça, abdome e no local do ferimento. Eles finalmente chegam ao Hospital Regional Rosa Pedrossian, em Campo Grande. Rafael é entregue a equipe médica de plantão. No outro dia, um telefonema informa que seu estado é muito bom e que sua recuperação será total.

Essa foi apenas uma das muitas missões realizadas pelo 2º/10º Grupo de Aviação, mais conhecido como Esquadrão Pelicano. Em sua longa lista de vidas salvas, estão vítimas de acidentes aéreos, naufrágios, terremotos e enchentes. Anualmente, participam ainda das missões de multivacinação no Pantanal e Amazônia, além de realizar o transporte de feridos e enfermos para locais com melhor assistência médica, como o caso de Rafael.

Bolacha representativa do Esquadrão Pelicano.

Bolacha representativa do Esquadrão Pelicano.

Esquadrão Flecha

Durante a II Guerra mundial, o mundo foi lançado no maior conflito que a humanidade já viu. Os combates em terra, nos mares e nos céus ceifaram a vida de milhares de pessoas e também ajudaram a criar uma legião de bravos que se lançou sem temor em cima de seus inimigos, conseguindo livrar o mundo da tirania nazista.

Entre eles estavam os pilotos brasileiros do 1º Grupo de Aviação de Caça que realizaram missões consideradas praticamente impossíveis, destacando-se nos ataques aéreo e sendo aclamados como heróis.

Esses bravos homens voltaram dos campos de batalha da Europa e seu espírito aguerrido se espalhou em solo nacional, nascendo assim a Aviação de Caça Brasileira. Um desses esquadrões está sediado na Base Aérea de Campo Grande, o Esquadrão Flecha. Sua história, embora recente, tem origens mais antigas.

Em 30 de janeiro de 2004 foi desativado, na Base Aérea de Santa Cruz, o Segundo Esquadrão de Ligação e Observação, Segunda ELO, cuja origem remonta aos anos da II Grande Guerra. Suas aeronaves e parte de seus homens foram transferidos para a cidade de Campo Grande e passaram a integrar uma nova unidade de caça: o 3º/3º Grupo de Aviação, Esquadrão Flecha, ativado oficialmente no dia 11 de fevereiro de 2004.

Subordinado operacionalmente à Terceira Força Aérea (III FAE), responsável pelo preparo e emprego das Unidades de Caça da Força Aérea Brasileira, o Esquadrão Flecha operou inicialmente com os aviões T-27 Tucano. Desde sua ativação, mostrou grande eficiência, realizando diversos tipos de operações e treinamentos nos mais diversos locais do território nacional.

Aviões A-29 do Esquadrão Flecha sobrevoando Campo Grande.

Aviões A-29 do Esquadrão Flecha sobrevoando Campo Grande.

Atuando em uma de suas principais missões, o alerta de defesa aérea, contribuiu de imediato para a redução dos vôos ilícitos nesta sensível faixa de fronteira. Visando melhorar ainda mais a eficiência na vigilância das fronteiras e atendendo ao plano de modernizações de aeronaves da Força Aérea, as novas aeronaves A-29 Super Tucano começaram a chegar ao Esquadrão em meados de 2006.

Para melhor abrigar este importante elo de segurança e vigilância da Força Aérea, novas instalações foram construídas na Base Aérea de Campo Grande. Um novo hangar, moderno e bem equipado, incluindo um simulador de vôo de ultima geração, foi entregue em 2007.

Entre as atribuições do Flecha, além da tarefa de proteger os céus neste pedaço do Brasil, está a formação de líderes de esquadrilha de caça, realizada nos dois primeiros anos que o piloto chega ao Esquadrão.  O processo de aprendizagem, constante no dia a dia desses pilotos de combate, dará capacidade aos mesmos para atuarem na importante tarefa de liderar formações com 2 e 4 aeronaves, a fim de cumprir as diversas missões da Aviação de Caça, seja realizando ataques a alvos, patrulhas de combate ou escolta de outras aeronaves e helicópteros.

Todos os dias do ano, todas as horas do dia, há sempre uma equipe do Esquadrão Flecha pronta para atender a qualquer acionamento do Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro.

Em poucos minutos um A-29 armado decola para interceptar qualquer avião voando sem o devido controle. Com grande poderio bélico, esta aeronave propicia uma rápida abordagem do avião não identificado.

Essa importante tarefa exige uma perfeita integração com outros órgãos como o Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA), a Polícia Federal, e outros Esquadrões da Força Aérea como o Segundo do Sexto Grupo de Aviação, sediado na Base Aérea de Anápolis operando com os aviões radar E-99 e de reconhecimento R-99, responsáveis também pela de detecção destes vôos ilícitos.

Com isso, a Força Aérea mantém constante vigilância da fronteira oeste do Brasil, garantindo maior segurança e impedindo que vôos transportando drogas, armamento e contrabando, invadam nosso espaço aéreo.

Ao decolar com suas aeronaves, em qualquer tempo e a qualquer momento, O Esquadrão Flecha representa os olhos vigilantes da Força Aérea Brasileira, zelando pela soberania de nosso País e preservando o mesmo espírito combatente daqueles que um dia sobrevoaram os céus da Itália.

Bolacha representativa do Esquadrão Flecha.

Bolacha representativa do Esquadrão Flecha.

PARA-SAR

Em meados de 1943, na antiga Escola de Aeronáutica, no Campo dos Afonsos, surge a figura ímpar de Achile Garcia Charles Ástor, instrutor de ginástica acrobática para os cadetes da Aeronáutica e, ainda, introdutor do paraquedismo no Brasil.

Charles Ástor abriu novos horizontes, ao semear a ideia de utilização do paraquedista nas operações de salvamento, ideia não aceita de início, pois o paraquedismo naquele tempo era pouco difundido e o material disponível era escasso, bem como de pouca qualidade.

No ano de 1946, a delegação brasileira presente à convenção da organização de aviação civil internacional apresenta, em plenário, a proposta de utilização de paraquedistas em missões SAR; ideia acatada de imediato.

Em consequência  no ano de 1959, forma-se a primeira turma de paraquedistas militares da aeronáutica, visando o cumprimento de missões especiais, missões de misericórdia, socorro imediato a acidentes aeronáuticos e marítimos, dentre outras mais, todas essas em locais de difícil acesso.

A queda de uma aeronave (PP-AKF) da real, nas proximidades de cachimbo, motivou o acionamento imediato da que seria a primeira equipe aeroterrestre de salvamento. A partir daí, a aplicação desta equipe, tornou-se não só realidade, mas sim uma necessidade.

Salto realizado pelo PARA-SAR.

Salto realizado pelo PARA-SAR.

Nascendo como organização militar em 1963, a 1ª Esquadrilha Aeroterrestre de Salvamento, o “PARA-SAR” (Paraquedistas de Salvamento e Resgate), era composta por militares que serviam nas bases dos Afonsos e Cumbica. Com o aumento do tráfego aéreo no Brasil , a Força Aérea Brasileira decidiu investir na criação de uma unidade maior, visando o aprimoramento dos conhecimentos e maior profissionalização de seus integrantes, culminando, então, no surgimento do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento, unidade com a missão de realizar a instrução especializada para os tripulantes e equipes de busca e resgate (SAR) das organizações militares bem como a realização de ações relacionadas com a atividade de busca e resgate, a execução de Operações Especiais e outras que lhe fossem determinadas.

Decorridos vários anos de criação do PARA-SAR, a coragem o orgulho e a dedicação dos audazes militares do PARA-SAR que dedicaram seu sangue na consolidação dos ideais da unidade permanecem vivos nas missões realizadas ontem, hoje e sempre!!!

Salto realizado pelo PARA-SAR.

Salto realizado pelo PARA-SAR.

História de desenvolvimento da BACG

Na década de 30, no então estado de Mato Grosso, surgia o que podemos chamar de embrião da Força Aérea na região. A necessidade de apoiar uma aviação que começava a dar seus primeiros saltos fez com que o Ministério da Guerra, por meio da Aviação Militar, criasse o Núcleo de Destacamento de Aviação, na cidade de Campo Grande. Os voos para as regiões Centro-Oeste e Norte eram primordiais para o desenvolvimento desse pedaço do Brasil, ainda sem estradas. Para os pilotos que se aventuravam nesses céus, a tarefa exigia um grande conhecimento dos mapas, já que ainda não existia nenhum tipo de apoio de radar ou qualquer outro meio de auxílio a navegação mais preciso. Por isso, apoiar esses homens e suas máquinas era tão importante.

Vista do prédio do comando e área operacional na década de 70.

Vista do prédio do comando e área operacional na década de 70.

Em maio de 1932 foi criado o Núcleo de Destacamento de Aviação, como um segmento do 2o Regimento de Aviação, subordinado à 9a Região Militar, com um efetivo inicial constituído por um sargento e três praças.

A primeira pista do Destacamento, com 600 metros de extensão e 60 metros de largura, localizava-se nas proximidades do atual Cemitério de Santo Amaro. Em 1933, outra pista de 1.400 metros de comprimento por 100 metros de largura foi construída no mesmo local, pela 2a Cia do 6o Batalhão de Engenharia do Exército, localizado em Aquidauana, só que no sentido Norte-Sul, para adequar-se aos fortes ventos predominantes,

Um ano depois, em março de 1934, o Destacamento passou a ser comandado por um oficial, sendo designado como seu primeiro comandante o Tenente Aviador Engenheiro Hortêncio Pereira de Brito, que deu início à realização da primeira linha do Correio Aéreo de Fronteira, que atendia o limite Sul de Mato Grosso, utilizando-se de três aeronaves do tipo Waco CSO.

O Tenente Hortêncio foi o primeiro aviador brasileiro a fazer uma linha internacional do Correio Aéreo Militar, partindo de Campo Grande, em 21 de janeiro de 1936, em uma aeronave Waco Cabine com destino a Assunção, no Paraguai, levando como observador o 2o Tenente Aviador Tíndaro Pereira Dias, que havia assumido o comando do Destacamento de Campo Grande em 29 de abril de 1935.

A denominação do Destacamento de Campo Grande foi modificada, no dia primeiro de junho de 1939, para 3o/2o Regimento de Aviação e a 17 de janeiro de 1940, para 8o Corpo de Base Aérea, que passou a ser comandado, em 26 de fevereiro de 1940, pelo Capitão Aviador Abél Veríssimo de Azambuja, que era um dos pioneiros do Correio Aéreo Militar.

O crescimento da cidade de Campo Grande e as necessidades de ampliações nas instalações da Unidade fizeram com que em março de 1940 fosse adquirida pelo Exército a Fazenda Serradinho, mais afastada do centro da cidade e com a topografia ideal para as futuras instalações da Unidade, desta vez em caráter definitivo e que permanecem até a atualidade.

Com a criação do Ministério da Aeronáutica, em 20 de janeiro de 1941, o 8o Corpo de Base foi desligado da 9aRegião Militar, passando a ser classificado como Base Aérea de 3a Classe, de acordo com a organização inicial do novo Ministério.

O Decreto-Lei n 3762, de 25 de outubro de 1941, estabelece que o Território Nacional fica dividido em cinco Zonas Aéreas, a fim de facilitar a administração das atividades do Ministério da Aeronáutica em suas áreas de jurisdição. Assim, o então Estado de Mato Grosso constituiu a 5a Zona Aérea e a cidade de Campo Grande foi designada para a sua sede, sob o comando do Brigadeiro do Ar Gervásio Duncan de Lima Rodrigues.

Posteriormente, a 5 de março de 1942, em atendimento a reorganização da divisão do Território Nacional em Zonas Aéreas, o Estado de São Paulo passou a constituir, junto com o de Mato Grosso, a 4a Zona Aérea, com sua sede em São Paulo. O Comando da 5a Zona Aérea, agora composta pelos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, foi transferido para Porto Alegre (RS).

Paralelamente, eram iniciadas as obras da nova Base na Fazenda Serradinho, que foram concluídas no final de 1944. Em decorrência de ajustes na estrutura do Ministério da Aeronáutica, os Corpos de Bases Aéreas foram extintos, acarretando a desativação do 8o Corpo de Base de Campo Grande. Pelo Decreto no 6.814, de 21 de agosto de 1944 era criada oficialmente a Base Aérea de Campo Grande, já de acordo com essa nova estruturação.

Finalmente, em 19 de abril de 1945, com a presença do Ministro da Aeronáutica Dr. Joaquim Pedro Salgado Filho, era inaugurada a nova sede da Unidade, com a classificação provisória de Destacamento de Base Aérea de Campo Grande.

Até o ano de 1965, o Destacamento de BACG permaneceu como uma Unidade de apoio às linhas do Correio Aéreo Nacional (CAN) e a eventuais deslocamentos e manobras de Unidades Operacionais da Força Aérea Brasileira em manobras ou em missões de treinamento.

Olhos vigilantes

Em decorrência das necessidades de segurança interna do País, foi criada em Campo Grande, pela Portaria 150/GM3, de 22 de outubro de 1965, a Esquadrilha de Reconhecimento e Ataque 42 – ERA-42, equipada com aeronaves North American AT-6 e com a incumbência de ser empregada em missões específicas de cooperação na manutenção da segurança interna, sendo o primeiro Comandante o 1o Tenente-Aviador Raul Galbarro Vianna.

A ERA-42 permaneceu operando em Campo Grande até 11 de maio de 1970, em conseqüência da evolução ocorrida na estrutura de tais Unidades, passou a compor, juntamente com a ERA-51, esta sediada em Canoas (RS), o 1o Esquadrão de Reconhecimento e Ataque – 1o ERA, com sede na Base Aérea de Canoas, encerrando, assim, a sua gloriosa passagem pela BACG.

Finalmente, pelo Decreto 67.204, de 15 de setembro de 1970, a Base Aérea de Campo Grande era oficialmente ativada, com a consequente desativação do Destacamento da BACG, sendo subordinada ao então Núcleo da Força Aérea de Transporte Aéreo, que atualmente é a Quinta Força Aérea (V FAE).

A partir de 25 de março de 1980, a BACG passou a subordinar-se ao IV Comando Aéreo Regional (IV COMAR), sediado na cidade de São Paulo, situação esta que permanece até a atualidade. Gostaram do post? Acompanhe o nosso blog!

Formatura realizada na Base.

Formatura realizada na Base.

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